Post Tagged with: "bicicleta"

Bicicleta como esporte para quem tem o mínimo de senso estético. Sim, é possível.

“You could be a rolling billboard Ornot” (Você pode ser um outdoor ambulante ou não). Essa é a tagline da americana Ornot, que se dedica a fazer roupas de ciclismo minimalistas. Para mim, essa frase é a síntese do que vive o ciclismo enquanto esporte, esteticamente: uniformes abarrotados de marcas, patrocínios e beijos para a família.

A gloriosa Rapha, incansável combatente do péssimo gosto no ciclismo. Via.

Eu sei, provavelmente estarei mexendo num vespeiro aqui e já aviso que se você acha maravilhosa a maneira como o ciclismo se mostra ao mundo hoje, pode fechar essa aba e continuar a vida normalmente. Agora se você tem o mínimo de senso estético, eu diria que é quase impossível passar incólume pelo show do horrores que são os uniformes. Faço aqui uma exceção para a galera das fixas e do enduro, que possuem uma estética tão bem resolvida quanto própria.

Tour de France

UCI divulgou no dia 15 as camisas do World Tour em 2017. Via.

Como todos os esportes, o ciclismo tem os seus trendsetters, as suas referências. Os caras picas das galáxias que escalam montanhas em velocidades que você mal consegue manter no plano, sprintam a 70km/h e possuem resultados sobre-humanos (as minas também possuem essas habilidades, mas infelizmente não são reconhecidas como). Essa bela junção de potência & técnica do ciclismo é celebrada nas voltas que acontecem todos os anos, em especial, no grandioso Tour de France.

Tour Down Under rolando agora em 2017, mas pelas roupas a gente chutaria pelo menos uma década atrás, né non? Via.

O Tour, por sua vez, tem as melhores equipes do mundo participando com seus uniformes. Além disso, a prova em si possui toda uma dinâmica para celebrar o melhor de cada categoria com suas camisas exclusivas, como a de escalador, velocista e líder geral. Daí a gente imagina que toda essa visibilidade e grana injetada por patrocinadores resulta em uniformes lindos, objetos de desejo, obras sofisticadas do vestuário? Na-na-ni-na-não. Com raríssimas exceções, os uniformes são pavorosos, parecem presos eternamente no começo dos anos 90 e possuem mais marcas estampadas do que camiseta de gincana do ensino médio.

E, veja bem, colega, são justamente esses caras que dão a letra do que é massa no esporte. Então, como você pode imaginar, o troço já desanda lá de cima.

Diante da falta de opções ou pela grande vontade de se sentir o Froome, a galera compra a torto e a direito os uniformes que foram usados no Tour. Vale ressaltar que no Brasil, boa parte deles é inspired, um nome fashionista para ‘falsificado’ mesmo. O que, acredito eu, é um grande desserviço para a imagem do ciclismo como esporte no mundo: um monte de roupas feias pedalando por aí (e fakes ainda por cima). Ok se você gosta de usar esses uniformes, mas sendo assim, recomendo que você compre os jerseys originais e então apoie a equipe (e não os seus falsificadores).

Para não mentir sozinha: confira aqui os uniformes de 2017 divulgados pela UCI.

Por que isso é importante?

Não é à toa que os demais esportes passaram a investir massivamente em como eles se apresentam. Um uniforme bonito ajuda a representar toda a nobreza envolvida nas conquistas e treinos de ser um(a) atleta. Você precisa se identificar com algo para admirá-lo. Uniformes podem ser muito úteis nisso. Além de identificações, eles são ferramentas para formar unidades, grupos e conceitos.

Pode parecer balela (e, pra muita gente talvez seja mesmo), mas um esporte com uma identidade visual pobre deixa de atrair pessoas para se envolverem com ele. Provavelmente o número de pessoas usando um uniforme de algum(a) grande ciclista fosse muito maior se, para começo de conversa, elas achassem o uniforme bonito.

Quando entramos no cenário ‘mulheres no ciclismo’, a coisa fica ainda pior. As mulheres aprendem desde pequenas que o como elas aparentam vale muito (às vezes até mais do que como elas realmente são) e sair vestindo algo que a desagrada pode ser bem difícil. Além do quê, quem vai comprar uma roupa que não se sente bem com ela? Você pode até achar que isso não importa, mas eu já deixei de comprar inúmeras vezes alguma roupa de ciclismo porque achei medonha e conheço inúmeras histórias iguais a minha.

Além do quê, convenhamos, uma indústria que só fabrica roupas feias beneficia a quem? Então mesmo que você ache que está tudo bem, imagina que massa seria ter mais opções bonitas para quem não acha? E vale ressaltar que, majoritariamente, os uniformes são fabricados com lycras (e polímeros variados) que ficarão para sempre no planeta sem se decompor, então esperamos que a manufatura disso seja – no mínimo – melhor empregada.

Brasil, o país do MTB

Corre a lenda que o Brasil é o país do MTB. E a galera do MTB curte muito um uniforme de equipe, seja uma equipe profissional ou uma própria. Eles também curtem muito as já citadas camisas do Tour de France, que é uma prova de estrada, o que me dá uma pequena sensação de que faltam sim referências no próprio MTB (tão vendo como a estética é mal resolvida?).

Diante do meu grande estudo empírico de análise de camisas de ciclismo, as do MTB são as que me dão mais medo. Grafismos excêntricos, chamas, vetores de morros, montagens primitivas, frases em caixa alta, cores com um contraste injustificável são elementos frequentes dos amantes da terra e da lama. Pior do que as camisas de equipe, só as camisas fabricadas exclusivamente para algum evento, quando o clã vai subir alguma temerosa montanha, fazer uma pequena viagem ou participar de alguma prova. Essas sim são de sangrar os olhos.

Digamos que os speedêros não sejam muito diferentes, mas pelo menos eles usam camisas de equipes da mesma modalidade que estão praticando, o que faz meu raciocínio lógico muito feliz.

Roupas de Ciclismo “Femininas”

Se o ciclismo em geral já tem uns uniformes medonhos, imagina você, o que são os uniformes desenhados (por homens em sua maioria) para as mulheres. Eu já respondo: flores de hibisco rosas, arabescos deformados rosas (claro, né) ou ainda flores & arabescos deformados rosas com algum fundo esquisito. Você também pode incluir batons, beijos, lacinhos, joias e tudo mais que for ‘feminino’. De preferência, tudo rosa.

Quanto a modelagem, eles até podem dizer que existe diferença entre a masculina e a feminina, mas olha, tá convencendo não. Dificilmente uma mulher veste aquilo e não parece um grande saco de batatas – o que, convenhamos – já nos deixa insegura só de pensar, imagina então pedalar com isso.

E não tem solução?

Machines for Freedom, orgulhosamente feita por e para mulheres. Via.

Por um tempo, eu achei que não, mas cada dia vejo novas marcas dispostas a quebrar com a tradição de uniformes tétricos. A inglesa Rapha, por exemplo, revolucionou o que é um jersey e trouxe com ela toda uma nova maneira de se vestir para pedalar. Uma pena que cada peça dela custe o PIB de um país pequeno. Vale ressaltar que a Rapha é tão concisa e lançadora de tendências, que os eventos que ela cria são verdadeiros sucessos para quem pedala (como o Womens100 e o Festive500).

Maap. Via.

 Na gringa é mais fácil achar roupas bonitas, gosto muito da supracitada Ornot, da Maap, Machines For Freedom, Cycle Like a GirlVegan Athletic Apparel, Mescal, Black Sheep Cycling, Ten Speed Hero, ChapeauWe Are Omnium. Só para citar algumas, porque como você pode ver, gasto bastante tempo pesquisando sobre isso. O problema é trazer pra cá sem ser taxado, além do câmbio e da incerteza de quando e se irá chegar.

A catarinense Kirschner. Via.

No Brasil, algumas marcas já começam a despontar e vão muito bem, obrigada, desenhando uniformes que dão vontade de usar sempre. Eu adoro a Lacarrera Brasil (no meu instagram, isso fica bem claro), a Kirschner Brasil, a Veloma e a curitibana Mynd (por causa modelagem bem feita). Não deixo de reconhecer os esforços da Free Force, da Curtlo e da Woom em sair um pouco do óbvio, mas ainda com muito chão pela frente.

Lacarrera Cycling Wear. Via.

Veloma. Via.

Final Stage

A bela Chapeau! Via.

De maneira geral, o ciclismo possui um cuidado com a estética (e também um marketing) bem meia boca. Porém, nada que seja irreversível. O bom disso é que se pode renovar a aparência sem deixar de respeitar a estética tradicional do esporte, afinal sabemos claramente o que é um uniforme de futebol, basquete ou de vôlei. Com o ciclismo dá para fazer o mesmo.

Vale lembrar também que muita gente acaba comprando em gigantes multinacionais de esporte, com seus preços atraentes, porém com peças de qualidade questionável. Lá, ao menos, eles acertam em evitar estampas e utilizam paletas de cores atraentes.

O cenário tem melhorado, em geral graças a pequenos empreendedores que cansaram de ver coisas feias em cima de bicicletas. Ainda entram em questão as bicicletas, capacetes, sapatilhas, luvas e demais acessórios, que são mais difíceis de produzir do que camisetas e bermudas e serão temas de um outro post.

E vocês? O que acham da estética do ciclismo atual? Conhecem alguma marca lindona que merece destaque? Conta aí! O melhor sempre rola depois que o post vai pro ar.

Saiba mais (em inglês)

 

 

8 maneiras de parar de enrolar e cumprir com a meta de ser mais ativo nesse ano novo

(Aviso rápido: Se a sua pira não é bicicleta e você prefere patinente, wingsuit, dança africana ou qualquer outra coisa, as dicas também servem, pode seguir lendo sem se tornar alguém que usa lycra colorida. Eu garanto).

Imagem via Bustle

45% dos americanos disseram fazer listas de ano novo. Destes, 37% colocaram nas metas ‘ficar em forma’ e ‘ser saudável’.

Se você fez uma listinha de metas a alcançar no ano novo (ou gosta de se enganar), é quase certo que uma delas é ‘ser mais saudável’ ou ‘ser mais ativo’ ou ainda o ingênuo e quase obrigatório ‘perder peso’¹. São inegáveis as vantagens de um estilo de vida mais saudável, entretanto quanto mais réveillons celebramos, mais difícil – parece ficar – a empreitada de cumprir com a famigerada lista.

Existem três trilhões de opções no universo para ser saudável (algumas bem questionáveis, mas deixa pra lá). Pra mim, o que funcionou foi adotar a bicicleta e me convencer, de uma vez por todas, que eu não odeio me movimentar.

A bicicleta, essa adorável máquina, possui diversos usos, dentre eles o transporte, o esporte e o lazer. Há diversos clubinhos disputando quem é mais ciclista que o outro, mas isso pouco importa. A verdade incontestável é qualquer uma das modalidades pode te tornar mais saudável – e, ousaria professar, mais feliz. Como eu não sou dada a clubinhos, fico puteando entre uma modalidade e outra e separei umas dicas chupando técnicas de cada uma delas.

1. Comece a se mexer se mexendo. Desenvolva o hábito da vida ativa.

Imagem via Banca do Bem

Nada poderia ser mais óbvio. Nem mais eficiente. Ainda que nosso corpo tenha sido projetado para se manter ativo, a prática de exercícios físicos vai contra a natureza humana². Somos geneticamente programados para estocar energia. A parte boa dessa história, é que também somos seres de hábitos. Então uma excelente maneira de inserir a atividade física na nossa vida é criando um novo hábito.

O tempo que se leva para criar um hábito diverge e depende muito do quanto isso altera a nossa rotina. Eu gosto muito da vertente que diz que 21 dias fazendo uma mesma coisa já dá para promover mudanças na vida. Sendo assim, adoro a ideia de me propor um auto desafio, imprimir um calendário e seguir com ele.

Pedale por x dias consecutivos, mesmo que você tenha ido numa balada nervosa no dia anterior ou só pensa em matar uma série nova na Netflix. Vá. Vá só até a padaria na quadra ao lado, mas vá. É incrível o poder que essa pequena ação tem em nossas vidas.  E depois, é claro, se recompense. Você merece.

Já escrevi sobre isso no blog Bike Floripa, vai lá e dá um confere. E faz, né, não adianta ficar só lendo. Reclamar não queima calorias 🙂

Pequenas vitórias alimentam mudanças transformadoras, elevando vantagens minúsculas a padrões que convencem as pessoas de que conquistas maiores estão dentro de seu alcance. (Charles Duhigg no livro O Poder do Hábito)

+ veja como desenvolver um novo hábito aqui +

2. Escolha metas divertidas. Persiga progresso e não perfeição.

Divertidas, ok? Não estou falando para escolher uma calça jeans minúscula e jurar que vai entrar nela até Julho. Escolha uma prova, uma distância x, uma viagem para fazer (e se di-ver-tir, pelamor). Se tiver unzamigos para chamar, melhor ainda (mas não confia só nisso, eles sempre desistem). Aproveite que o ano está começando e planeje participar de algo lá na frente, com algum tempo para melhorar e sentir a glória de cumprir com algo delícia. E lembre-se de sempre perseguir progresso e não perfeição. Perfeccionismo nessas horas só serve pra gente desistir.

E para a meta não se perder do limbo das promessas não cumpridas, use aquele conceito manjado da administração, o SMART: específica, mensurável, alcançável, relevante e temporal.

A minha é participar de uma prova hard core de MTB (terra, lama, subidas e ciladas) com uma amiga. Será dia 12 de março em Pomerode (SC). Estou levemente desesperada com a audácia da meta, mas já comecei a me preparar e meu único objetivo é terminar a prova (de preferência, inteira).

+ veja como desenvolver uma meta SMART aqui +

3. Siga pessoas que te inspiram (a ser melhor, não a comprar). 

Michaela do Team Laser Cats em post do Pretty Damned Fast

Nessa dica, colega, não dá pra ser incauto. Não me venham com aquelas blogueiras fitness pro anorexia, porque isso só nos faz andar em círculos (porém, sem perder calorias, tun-dun-tuntz) e dá uma puta frustração. Tem que escolher gente massa de verdade, que inspira, que se supera e que você gostaria de ser um pouquinho parecido com ela.

Eu tinha um puta preconceito com bicicleta road (speed) e sair para andar só para treinar. Achava a coisa mais hamster tola do universo, nimquê comecei a ver umas minas muito fodas fazendo isso, sendo lindas e incríveis e passei a valorizar muito mais isso. Inspiração boa é tudo.

A quem interessar possa, eu adoro ler/ ver:

+ Confira também o post 5 brazucas que vão te inspirar a pedalar +

4. Faça um Strava.

Mapa do Strava via Bored Panda

Para quem não sabe, Strava é um app/rede social para ciclistas e corredores, que registra o seu desempenho em cada pedalada. Eu tinha uma birra especial com o Strava porque achava que ele promovia demais a competitividade, mas devo assumir que ele tem um baita potencial: o de lançar desafios. Lá eles propõem que você suba x metros de altimetria (vulgo morros) em um mês ou que você faça sei lá quantos quilômetros. Daí cada vez que você sai para pedalar e registra no app, ele vai mostrando a quantas anda o seu desempenho e etc.

Pode parecer técnico demais se você só pedala para a padaria, mas aos poucos o bichinho vai te enredando e você fica doidinha para ser a rainha da montanha de um segmento. Toda vez que me empolgo em registrar minhas pedaladas no Strava, acabo tendo mais controle do como estou pedalando e, por consequência, me empolgo em melhorar e me superar.

Se você é enviado do capiroto e não sabe lidar com a competitividade (eu, quase sempre), dá para usar o Endomondo, que não compara o seu tempo com os coleguinhas e ainda diz quantas voltas ao mundo você poderia dar com a distância que você já pedalou (ou correu).

Atualização: O brasileiro Mova Mais, que agora se chama Heartbit, também é uma ótima pedida para animar a vida e criar um hábito. Lá, suas pedaladas registradas no Strava, rendem pontos.

5. Faça um diário.

Imagem via Canela.cc

A gente esquece fácil de como a gente se sentiu bem indo ao supermercado ou ao cinema pedalando, ou como começamos a rir sozinha depois que as endorfinas nos deixam num estado muy especial. Para isso é legal anotar como estávamos nos sentido antes de sair de casa e como ficamos depois. A Adriana, do Canela.CC ensina aqui como fazer um diário de treinos, mas se você quiser algo bem simples, basta anotar na agenda ou mesmo num bloco de notas. Toda vez que a preguiça bater, vá lá e se descubra como alguém que ama se movimentar.

6. Pedale para o trabalho.

Imagem via Levis Commuter

Se tem uma coisa que funciona, mas funciona mesmo, é o troço de pedalar como meio de transporte. Mesmo que a sua pira seja esportiva, usar a bicicleta como veículo faz com quem você se movimente sem nem notar. O melhor é que é diluído na sua rotina e, na maioria dos casos nas cidades, faz com que você economize tempo e dinheiro. Você não precisa vender o carro e virar um cicloativista. Pode começar com poucos dias na semana ou só para algumas tarefas específicas, mas cada vez que você escolher ir de bicicleta, estará cumprindo com a listinha do ano novo. Incrível, não?

+ Quer se inspirar? Escrevi sobre isso num post sobre isso, o 10 vantagens marotas de se pedalar para o trabalho  +

7. Seja realista e generoso consigo mesmo.

Imagem via Bustle.

Resoluções como ‘comer melhor’ e ‘ficar mais em forma’ na verdade perpetuam o sentimento de não se sentir boa o suficiente, magra o suficiente, bonita o suficiente. (Annie Robinson em post na Bustle)

Se você está com preguiça até de pegar o telefone para pedir pizza, não vá colocar nas metas vencer o Ironman de Kona. Não irá rolar. Comece devagar, com meia hora por dia (e, com isso, a OMS já lhe abençoará com o título de ‘ativo’)³. Aos poucos, o corpo vai pedindo por mais, vai gostando dessa coisa de endorfinas e em breve, coisas que você achava uma baita trabalho, irão se tornar rotina.

Se amar, se aceitar e se respeitar é fundamental para que as promessas se tornem realidade. Do contrário, as chances de você se enfiar num bad de auto boicote é imensa. Você está como está por algum motivo. Você quer mudar, por outros tantos outros motivos. Se movimentar é um ato de amor próprio incondicional. Você merece se dar isso. De novo, busque sempre por progresso. Nunca será perfeito. Nunca ficará mais fácil, você apenas ficará mais veloz (e forte, baby).

E ah, lembre-se sempre: qualquer coisa é melhor do que nada. Qual-quer coisa.

Indo para a academia durante o ano. Gif via Bustle.

8. Sai da internet. Desliga essa TV.

Intenet Antidote. Imagem via Vinícius Leyser Fotografia.

O mundo de bobiças disponíveis para se ler e assistir são imensuráveis. Vá fazer amigos do lado de fora. É lá que o mundo é mais bonito. A rua é sua. Não perde mais tempo vendo coisas que te deixarão na maior ansiedade – e se sentindo inadequado.  Ninguém consegue grandes feitos rolando barras de redes sociais. Te garanto.


Viu? Você não precisa comprar coisas novas para ser fitness, você precisa é de disciplina. Disciplina militar.

Eu sei que não é fácil e todas as dicas acima também servem para mim, que andei bem borocoxô com a vida no ano passado, mas agora cansei e decidi lacrar por aí. Bora fazer um 2017 incrível. Bora formar uma rede de ajuda mútua e se convidar para uma vida mais ativa.

Bom, como sempre, o melhor acontece depois que o post vai pro ar e vocês contam quais são os métodos que usam.  E ah, compartilha aí: como você faz para se animar e manter o corpinho em movimento?

Referências

¹ Are New Year’s Resolutions About “Getting Fit” And “Eating Better” Just Code For Trying To Lose Weight?

² Conforto e Saúde – Drauzio Varella

³ Os Benefícios dos Exercícios – Drauzio Varella

Pedalar ajuda a curar corações partidos

Eu e a máquina de endorfinas, a Maria (a minha speed nova).
Eu e a máquina de endorfinas: a Maria (minha speed nova).

Sendo eu um ser espontâneo, que fala sem parar e com energia infinita, eu tive muita dificuldade em encarar uma suave realidade: eu tava numa bad fodida. Tão difícil quanto aceitar isso, era falar sobre isso. Acordar e viver era muito difícil. Não acordar e não viver era ainda mais duro.

Eu só me achava inútil, tola, sem conquistas na vida, uma completa idiota ou, sei lá… (insira aqui algo cruel). Não vou falar que eu tava deprimida, porque não fui diagnosticada e não acho justo com quem realmente foi. Mas tava numa bad, numa bad dantesca. As tarefas da vida iam se acumulando em cima da minha mesa e isso fazia eu me sentir ainda pior. Eu não as cumpria e, com remorso, não saía para pedalar ou desanuviar – coisas que normalmente me trariam de volta aos eixos – afinal, eu não tinha feito as malditas tarefas. Por fim, só ficava tentando fazer o que não gostava e tudo isso virou uma bola de neve.

A primeira coisa que eu abandonei foi escrever aqui – afinal, é a coisa que mais gosto de fazer. As semanas de bad foram se tornando meses, que ó, agora tavam pra completar 2 aniversários. Então eu consegui reagir. O problema é que reagir leva muito tempo: tem que voltar pra terapia, tem que sair da frente da TV, tem que rearranjar como ganhar a vida sem morrer de ódio. Foi foda e ainda tô meio cambaleando do combate, mas tô aqui. Tô escrevendo apesar das mil tarefas acumuladas.

Quando eu comecei a pedalar ‘mais a sério’, foi porque meu coração estava partido. Eu tinha tomado um fora colossal e tava disposta a zerar tudo o que eu acreditava na vida. Daí eu conheci as melhores pessoas, fui aos melhores lugares, descobri o poder das minhas pernas e me reinventei. Foi, certamente, um highlight da vida. Na minha lápide, podem lembrar desses meses.

Pedalando, me tornei outra. Me tornei quem eu sempre quis ser. Isso é magnífico, mas depois de alcançado, acaba deixando um buraco. Sempre dá pra se tornar mais. Daí o gato morreu, o cachorro também, os planos não saíram como desejado e eu fui deixando de escutar meu coraçãozinho.

Por sorte, consegui lembrar daquilo que amo, daquilo que faz eu me sentir viva. Voltei a pedalar – e bem aos pouquinhos – e nada muito além. Tô, aos trancos e barrancos, criando um capítulo novo. Seria massa se isso fosse só comigo. Se só eu parasse de enxergar coisas boas na vida e me enfiasse numa greta de bads, mas isso rola demais. Rola o tempo todo. Rola com muita gente.

Por isso estou escrevendo. Primeiro para pedir desculpas se você me enviou um inbox carinhoso, um email com proposta de trabalho ou um pombo correio com algo que eu não vi ou só não respondi. Segundo para dizer que se você também está na bad, sem fé na sua existência, procure ajuda. Faz terapia, reiki, tomas os remédios direitinho, faz um clube do livro, passa hipoglós, sei lá, faz o que você tem que fazer. Não tenha medo. Lembre-se que às vezes a gente fica tão assustado, que cria apego com a bad. Enfrenta isso. Vale a pena, por mais que doa.

E, por fim, vim aqui militar mais um pouquinho, dizer pra você tentar subir na bike e fazer um rolêzinho despretensioso, dar uma voltinha maior, ir ao cinema, ao buffet de pizza, tanto faz. Pedalar ajuda – mesmo – a curar corações partidos. Pedalar nos faz descobrir novas sensações, novos bairros, cidades, países. A gente chega a novos rumos e acaba reescrevendo a nossa história. Parece bullshitagem (e talvez seja mesmo), mas só de você sair para testar, já estará indo além.

E ah, tem uma frase atribuída ao Einstein que me irrita, mas vou ter que dizer que tem lá seu fundamento “viver é como andar de bicicleta: é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”. Então, bora lá, bora enfrentar as bads da vida e transformá-las em quilômetros de aprendizado. Afinal, só nos resta isso.


+ Me ajudou e pode te ajudar também:


(agora eu me vou, porque tenho muito trampo atrasado pra entregar!)

Foto tirada pelo Vinícius para o meu Instagram. Segue lá 😉

Vamos juntas?

Mulheres lindas que estavam no último Pedal Leve
Mulheres lindas que estavam no último Pedal Leve

Lucia não se sente muito bem com o seu corpo, gostaria de se movimentar mais e se sente livre ao andar de bicicleta. Desde que de dia e jamais sozinha. Patricia vê a bicicleta como uma bela maneira de viver a cidade e fazer seus rolês sem perder muito tempo, mas na sua memória sempre ecoam os comentários que os caras fazem sobre o seu corpo (ou sobre o corpo das outras meninas). Julia sai tarde do trabalho, odeia pegar o madrugadão, sente medo no ponto de ônibus e amaria chegar em casa suada após o pedal.

Eu inventei a Lucia, a Patricia e a Julia, mas elas não são completamente fictícias. Elas são eu e tantas outras mulheres por aí. Se milhares de motivos afastam as pessoas de usar a bicicleta como esporte, transporte ou lazer, outros dois milhões de motivos se somam a estes quando você é mulher. Sair de casa sozinha, de noite ou frequentar grupos com muitos homens, acabam sendo atos de coragem. O resultado disso? Poucas mulheres nas ruas. Muitas vezes, nenhuma.

Se nos grupos de pedal o ambiente muitas vezes é hostil, pedalar pela rua sozinha pode ser ainda pior. Tenho pensado nisso intensamente. Cada dia escuto relatos semelhantes. Se não podemos – ainda – mudar esse cenário, então por que não nos unimos e vamos juntas?

A ideia é simples, mas pode ser revolucionária. O melhor: não precisa de muito. Pode ser um grupo no Facebook que una as mulheres, uma oficina que ensine mecânica por uma ciclista mais experiente, uma amiga que junte com uma conhecida e façam o trajeto juntas. Então, da próxima vez que você desistir de pedalar porque está com medo, lembre-se: certamente, há outras tantas mulheres querendo o mesmo que eu e você.

/// Para saber mais

/// Se você souber de algum grupo semelhante, me avisa para começarmos a fazer uma lista de soluções. Pode ser?

Foto Vinícius Leyser da Rosa.

Short saia: para pedalar sem perder a ternura

lu-04
Com a saia da A Colorida que tem shortinho embaixo (em companhia da Lu querida)

Eu adoro pedalar de saia, mas não é todo mundo que se sente confortável assim. Uma solução bem óbvia, mas muito útil, é usar os shorts saias. Eu tenho três modelos e uso eles como se fossem uniformes.

pedal-glamour-short-saia
Short saia da A Colorida

Leia o post completo

Como levar a bicicleta no ônibus de viagem

pedal-glamour-em-joinville-17p
Yolanda na rodoviária antes do embarque

Seja para pedalar em alguma outra cidade ou mesmo para usar a magrela no destino final, levar a bicicleta junto na viagem pode ser maravilhoso – mas não é exatamente comum.

Tudo porque muitas empresas de ônibus criam um caos para levar a bicicleta como bagagem, exigindo que a bicicleta esteja na caixa, com a nota fiscal e embalada em 500 quilos de plástico bolha. Em resumo: tão cagando para esse tipo de cliente.

Porém, nem tudo é mágoa e outras empresas saíram do século passado e regulamentaram o transporte. Esse é o caso da linda Auto Viação Catarinense, que se ligou que há pessoas que usam o transporte coletivo para ir e voltar de viagens de cicloturismo ou mesmo para ter uma bike no destino final. Leia o post completo

Pedal Glamour no Musas da Urbanidade

Musas da Urbanidade em São Paulo!
Musas da Urbanidade em São Paulo!

Luxo, poder e glória: essa é a minha vida nos últimos tempos com esses eventos estupendos que tão rolando por aí com bicicleta no tema. Cabei de voltar de Joinville e já vou logo mais partir para São Paulo – esta selvinha louca que tá ficando com jeitinho de Amsterdam. Leia o post completo

5 brazucas que vão te inspirar a pedalar

Divas em duas rodas deste Brasil-sil-sil
Divas em duas rodas deste Brasil-sil-sil

Eu queria demais poder só postar no Pedal Glamour e nada-mais. Porém, meu tempo e minha disciplina não me permitem isso. Se eu não consigo escrever tudo o que planejo e desejo,  pelo menos tenho a sorte de ter um monte de gente produzindo conteúdo de excelente qualidade sobre o tema e encorajando um montão de gente a pedalar.

Sendo assim, montei uma lista para você se inspirar diariamente para pedalar e manter o estilo com conteúdo porreta e muito grrrl power (mas tenho certeza que os bróders se sentirão inspirados também). Leia o post completo

Morro da Cruz, Lagoa e Joaquina: um domingo feliz

O mirante do Morro da Cruz
Sendo lindos no mirante do Morro da Cruz #nessemorroeunaomorro
Vista do Morro da Cruz
Florianópolis, que já é linda, fica ainda mais incrível quando vista de cima.

O domingo era de inverno, mas o calor era quem tava no comando. Foi dia de acordar ‘cedo’, porque agora tem subida para o Morro da Cruz todos os domingos, às 10h (par-ti-ci-pe). Essa subida é  coisa linda & maravilhosa e eu vivo praticando – como vocês já cansaram de ver. Leia o post completo

Pesquisa Pedal Glamour

O que você quer ler no Pedal Glamour?

Pesquisa Pedal Glamour

Responder a pesquisa ♥

Alô, alô, marcianos, aqui quem fala é do Pedal Glamour e comunicamos que estamos de volta! E não é só: além de tudo, queremos aquecer vossos corações neste julho gelado com conteúdo porreta! Então, diz aí: sobre o que você quer saber?

Para isso, precisamos dum segundinho do seu valioso tempo. Juramos que é coisa rápida. Rápida meeesmo. Mais rápido do que comer aquela sobremesa que vem grátis num copinho de café do buffet.

Responder a pesquisa ♥

Ah, manda também para os migos, para os inimigos, para os vizinhos………. enfim, quanto mais gente, melhor!

E aproveita para se inscrever na nossa lista de emails e receber as novidadinhas em primeira mão. Prometemos só mandar coisas legais e jamais enviar spams (nem a mando do deabo).

Responder a pesquisa ♥