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Pedalar ajuda a curar corações partidos

Eu e a máquina de endorfinas, a Maria (a minha speed nova).
Eu e a máquina de endorfinas: a Maria (minha speed nova).

Sendo eu um ser espontâneo, que fala sem parar e com energia infinita, eu tive muita dificuldade em encarar uma suave realidade: eu tava numa bad fodida. Tão difícil quanto aceitar isso, era falar sobre isso. Acordar e viver era muito difícil. Não acordar e não viver era ainda mais duro.

Eu só me achava inútil, tola, sem conquistas na vida, uma completa idiota ou, sei lá… (insira aqui algo cruel). Não vou falar que eu tava deprimida, porque não fui diagnosticada e não acho justo com quem realmente foi. Mas tava numa bad, numa bad dantesca. As tarefas da vida iam se acumulando em cima da minha mesa e isso fazia eu me sentir ainda pior. Eu não as cumpria e, com remorso, não saía para pedalar ou desanuviar – coisas que normalmente me trariam de volta aos eixos – afinal, eu não tinha feito as malditas tarefas. Por fim, só ficava tentando fazer o que não gostava e tudo isso virou uma bola de neve.

A primeira coisa que eu abandonei foi escrever aqui – afinal, é a coisa que mais gosto de fazer. As semanas de bad foram se tornando meses, que ó, agora tavam pra completar 2 aniversários. Então eu consegui reagir. O problema é que reagir leva muito tempo: tem que voltar pra terapia, tem que sair da frente da TV, tem que rearranjar como ganhar a vida sem morrer de ódio. Foi foda e ainda tô meio cambaleando do combate, mas tô aqui. Tô escrevendo apesar das mil tarefas acumuladas.

Quando eu comecei a pedalar ‘mais a sério’, foi porque meu coração estava partido. Eu tinha tomado um fora colossal e tava disposta a zerar tudo o que eu acreditava na vida. Daí eu conheci as melhores pessoas, fui aos melhores lugares, descobri o poder das minhas pernas e me reinventei. Foi, certamente, um highlight da vida. Na minha lápide, podem lembrar desses meses.

Pedalando, me tornei outra. Me tornei quem eu sempre quis ser. Isso é magnífico, mas depois de alcançado, acaba deixando um buraco. Sempre dá pra se tornar mais. Daí o gato morreu, o cachorro também, os planos não saíram como desejado e eu fui deixando de escutar meu coraçãozinho.

Por sorte, consegui lembrar daquilo que amo, daquilo que faz eu me sentir viva. Voltei a pedalar – e bem aos pouquinhos – e nada muito além. Tô, aos trancos e barrancos, criando um capítulo novo. Seria massa se isso fosse só comigo. Se só eu parasse de enxergar coisas boas na vida e me enfiasse numa greta de bads, mas isso rola demais. Rola o tempo todo. Rola com muita gente.

Por isso estou escrevendo. Primeiro para pedir desculpas se você me enviou um inbox carinhoso, um email com proposta de trabalho ou um pombo correio com algo que eu não vi ou só não respondi. Segundo para dizer que se você também está na bad, sem fé na sua existência, procure ajuda. Faz terapia, reiki, tomas os remédios direitinho, faz um clube do livro, passa hipoglós, sei lá, faz o que você tem que fazer. Não tenha medo. Lembre-se que às vezes a gente fica tão assustado, que cria apego com a bad. Enfrenta isso. Vale a pena, por mais que doa.

E, por fim, vim aqui militar mais um pouquinho, dizer pra você tentar subir na bike e fazer um rolêzinho despretensioso, dar uma voltinha maior, ir ao cinema, ao buffet de pizza, tanto faz. Pedalar ajuda – mesmo – a curar corações partidos. Pedalar nos faz descobrir novas sensações, novos bairros, cidades, países. A gente chega a novos rumos e acaba reescrevendo a nossa história. Parece bullshitagem (e talvez seja mesmo), mas só de você sair para testar, já estará indo além.

E ah, tem uma frase atribuída ao Einstein que me irrita, mas vou ter que dizer que tem lá seu fundamento “viver é como andar de bicicleta: é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”. Então, bora lá, bora enfrentar as bads da vida e transformá-las em quilômetros de aprendizado. Afinal, só nos resta isso.


+ Me ajudou e pode te ajudar também:


(agora eu me vou, porque tenho muito trampo atrasado pra entregar!)

Foto tirada pelo Vinícius para o meu Instagram. Segue lá 😉