Vou de bicicleta

8 maneiras de parar de enrolar e cumprir com a meta de ser mais ativo nesse ano novo

(Aviso rápido: Se a sua pira não é bicicleta e você prefere patinente, wingsuit, dança africana ou qualquer outra coisa, as dicas também servem, pode seguir lendo sem se tornar alguém que usa lycra colorida. Eu garanto).

Imagem via Bustle

45% dos americanos disseram fazer listas de ano novo. Destes, 37% colocaram nas metas ‘ficar em forma’ e ‘ser saudável’.

Se você fez uma listinha de metas a alcançar no ano novo (ou gosta de se enganar), é quase certo que uma delas é ‘ser mais saudável’ ou ‘ser mais ativo’ ou ainda o ingênuo e quase obrigatório ‘perder peso’¹. São inegáveis as vantagens de um estilo de vida mais saudável, entretanto quanto mais réveillons celebramos, mais difícil – parece ficar – a empreitada de cumprir com a famigerada lista.

Existem três trilhões de opções no universo para ser saudável (algumas bem questionáveis, mas deixa pra lá). Pra mim, o que funcionou foi adotar a bicicleta e me convencer, de uma vez por todas, que eu não odeio me movimentar.

A bicicleta, essa adorável máquina, possui diversos usos, dentre eles o transporte, o esporte e o lazer. Há diversos clubinhos disputando quem é mais ciclista que o outro, mas isso pouco importa. A verdade incontestável é qualquer uma das modalidades pode te tornar mais saudável – e, ousaria professar, mais feliz. Como eu não sou dada a clubinhos, fico puteando entre uma modalidade e outra e separei umas dicas chupando técnicas de cada uma delas.

1. Comece a se mexer se mexendo. Desenvolva o hábito da vida ativa.

Imagem via Banca do Bem

Nada poderia ser mais óbvio. Nem mais eficiente. Ainda que nosso corpo tenha sido projetado para se manter ativo, a prática de exercícios físicos vai contra a natureza humana². Somos geneticamente programados para estocar energia. A parte boa dessa história, é que também somos seres de hábitos. Então uma excelente maneira de inserir a atividade física na nossa vida é criando um novo hábito.

O tempo que se leva para criar um hábito diverge e depende muito do quanto isso altera a nossa rotina. Eu gosto muito da vertente que diz que 21 dias fazendo uma mesma coisa já dá para promover mudanças na vida. Sendo assim, adoro a ideia de me propor um auto desafio, imprimir um calendário e seguir com ele.

Pedale por x dias consecutivos, mesmo que você tenha ido numa balada nervosa no dia anterior ou só pensa em matar uma série nova na Netflix. Vá. Vá só até a padaria na quadra ao lado, mas vá. É incrível o poder que essa pequena ação tem em nossas vidas.  E depois, é claro, se recompense. Você merece.

Já escrevi sobre isso no blog Bike Floripa, vai lá e dá um confere. E faz, né, não adianta ficar só lendo. Reclamar não queima calorias 🙂

Pequenas vitórias alimentam mudanças transformadoras, elevando vantagens minúsculas a padrões que convencem as pessoas de que conquistas maiores estão dentro de seu alcance. (Charles Duhigg no livro O Poder do Hábito)

+ veja como desenvolver um novo hábito aqui +

2. Escolha metas divertidas. Persiga progresso e não perfeição.

Divertidas, ok? Não estou falando para escolher uma calça jeans minúscula e jurar que vai entrar nela até Julho. Escolha uma prova, uma distância x, uma viagem para fazer (e se di-ver-tir, pelamor). Se tiver unzamigos para chamar, melhor ainda (mas não confia só nisso, eles sempre desistem). Aproveite que o ano está começando e planeje participar de algo lá na frente, com algum tempo para melhorar e sentir a glória de cumprir com algo delícia. E lembre-se de sempre perseguir progresso e não perfeição. Perfeccionismo nessas horas só serve pra gente desistir.

E para a meta não se perder do limbo das promessas não cumpridas, use aquele conceito manjado da administração, o SMART: específica, mensurável, alcançável, relevante e temporal.

A minha é participar de uma prova hard core de MTB (terra, lama, subidas e ciladas) com uma amiga. Será dia 12 de março em Pomerode (SC). Estou levemente desesperada com a audácia da meta, mas já comecei a me preparar e meu único objetivo é terminar a prova (de preferência, inteira).

+ veja como desenvolver uma meta SMART aqui +

3. Siga pessoas que te inspiram (a ser melhor, não a comprar). 

Michaela do Team Laser Cats em post do Pretty Damned Fast

Nessa dica, colega, não dá pra ser incauto. Não me venham com aquelas blogueiras fitness pro anorexia, porque isso só nos faz andar em círculos (porém, sem perder calorias, tun-dun-tuntz) e dá uma puta frustração. Tem que escolher gente massa de verdade, que inspira, que se supera e que você gostaria de ser um pouquinho parecido com ela.

Eu tinha um puta preconceito com bicicleta road (speed) e sair para andar só para treinar. Achava a coisa mais hamster tola do universo, nimquê comecei a ver umas minas muito fodas fazendo isso, sendo lindas e incríveis e passei a valorizar muito mais isso. Inspiração boa é tudo.

A quem interessar possa, eu adoro ler/ ver:

+ Confira também o post 5 brazucas que vão te inspirar a pedalar +

4. Faça um Strava.

Mapa do Strava via Bored Panda

Para quem não sabe, Strava é um app/rede social para ciclistas e corredores, que registra o seu desempenho em cada pedalada. Eu tinha uma birra especial com o Strava porque achava que ele promovia demais a competitividade, mas devo assumir que ele tem um baita potencial: o de lançar desafios. Lá eles propõem que você suba x metros de altimetria (vulgo morros) em um mês ou que você faça sei lá quantos quilômetros. Daí cada vez que você sai para pedalar e registra no app, ele vai mostrando a quantas anda o seu desempenho e etc.

Pode parecer técnico demais se você só pedala para a padaria, mas aos poucos o bichinho vai te enredando e você fica doidinha para ser a rainha da montanha de um segmento. Toda vez que me empolgo em registrar minhas pedaladas no Strava, acabo tendo mais controle do como estou pedalando e, por consequência, me empolgo em melhorar e me superar.

Se você é enviado do capiroto e não sabe lidar com a competitividade (eu, quase sempre), dá para usar o Endomondo, que não compara o seu tempo com os coleguinhas e ainda diz quantas voltas ao mundo você poderia dar com a distância que você já pedalou (ou correu).

Atualização: O brasileiro Mova Mais, que agora se chama Heartbit, também é uma ótima pedida para animar a vida e criar um hábito. Lá, suas pedaladas registradas no Strava, rendem pontos.

5. Faça um diário.

Imagem via Canela.cc

A gente esquece fácil de como a gente se sentiu bem indo ao supermercado ou ao cinema pedalando, ou como começamos a rir sozinha depois que as endorfinas nos deixam num estado muy especial. Para isso é legal anotar como estávamos nos sentido antes de sair de casa e como ficamos depois. A Adriana, do Canela.CC ensina aqui como fazer um diário de treinos, mas se você quiser algo bem simples, basta anotar na agenda ou mesmo num bloco de notas. Toda vez que a preguiça bater, vá lá e se descubra como alguém que ama se movimentar.

6. Pedale para o trabalho.

Imagem via Levis Commuter

Se tem uma coisa que funciona, mas funciona mesmo, é o troço de pedalar como meio de transporte. Mesmo que a sua pira seja esportiva, usar a bicicleta como veículo faz com quem você se movimente sem nem notar. O melhor é que é diluído na sua rotina e, na maioria dos casos nas cidades, faz com que você economize tempo e dinheiro. Você não precisa vender o carro e virar um cicloativista. Pode começar com poucos dias na semana ou só para algumas tarefas específicas, mas cada vez que você escolher ir de bicicleta, estará cumprindo com a listinha do ano novo. Incrível, não?

+ Quer se inspirar? Escrevi sobre isso num post sobre isso, o 10 vantagens marotas de se pedalar para o trabalho  +

7. Seja realista e generoso consigo mesmo.

Imagem via Bustle.

Resoluções como ‘comer melhor’ e ‘ficar mais em forma’ na verdade perpetuam o sentimento de não se sentir boa o suficiente, magra o suficiente, bonita o suficiente. (Annie Robinson em post na Bustle)

Se você está com preguiça até de pegar o telefone para pedir pizza, não vá colocar nas metas vencer o Ironman de Kona. Não irá rolar. Comece devagar, com meia hora por dia (e, com isso, a OMS já lhe abençoará com o título de ‘ativo’)³. Aos poucos, o corpo vai pedindo por mais, vai gostando dessa coisa de endorfinas e em breve, coisas que você achava uma baita trabalho, irão se tornar rotina.

Se amar, se aceitar e se respeitar é fundamental para que as promessas se tornem realidade. Do contrário, as chances de você se enfiar num bad de auto boicote é imensa. Você está como está por algum motivo. Você quer mudar, por outros tantos outros motivos. Se movimentar é um ato de amor próprio incondicional. Você merece se dar isso. De novo, busque sempre por progresso. Nunca será perfeito. Nunca ficará mais fácil, você apenas ficará mais veloz (e forte, baby).

E ah, lembre-se sempre: qualquer coisa é melhor do que nada. Qual-quer coisa.

Indo para a academia durante o ano. Gif via Bustle.

8. Sai da internet. Desliga essa TV.

Intenet Antidote. Imagem via Vinícius Leyser Fotografia.

O mundo de bobiças disponíveis para se ler e assistir são imensuráveis. Vá fazer amigos do lado de fora. É lá que o mundo é mais bonito. A rua é sua. Não perde mais tempo vendo coisas que te deixarão na maior ansiedade – e se sentindo inadequado.  Ninguém consegue grandes feitos rolando barras de redes sociais. Te garanto.


Viu? Você não precisa comprar coisas novas para ser fitness, você precisa é de disciplina. Disciplina militar.

Eu sei que não é fácil e todas as dicas acima também servem para mim, que andei bem borocoxô com a vida no ano passado, mas agora cansei e decidi lacrar por aí. Bora fazer um 2017 incrível. Bora formar uma rede de ajuda mútua e se convidar para uma vida mais ativa.

Bom, como sempre, o melhor acontece depois que o post vai pro ar e vocês contam quais são os métodos que usam.  E ah, compartilha aí: como você faz para se animar e manter o corpinho em movimento?

Referências

¹ Are New Year’s Resolutions About “Getting Fit” And “Eating Better” Just Code For Trying To Lose Weight?

² Conforto e Saúde – Drauzio Varella

³ Os Benefícios dos Exercícios – Drauzio Varella

Como levar a bicicleta no ônibus de viagem

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Yolanda na rodoviária antes do embarque

Seja para pedalar em alguma outra cidade ou mesmo para usar a magrela no destino final, levar a bicicleta junto na viagem pode ser maravilhoso – mas não é exatamente comum.

Tudo porque muitas empresas de ônibus criam um caos para levar a bicicleta como bagagem, exigindo que a bicicleta esteja na caixa, com a nota fiscal e embalada em 500 quilos de plástico bolha. Em resumo: tão cagando para esse tipo de cliente.

Porém, nem tudo é mágoa e outras empresas saíram do século passado e regulamentaram o transporte. Esse é o caso da linda Auto Viação Catarinense, que se ligou que há pessoas que usam o transporte coletivo para ir e voltar de viagens de cicloturismo ou mesmo para ter uma bike no destino final. Leia o post completo

Customização de Bikes + Pedal Feminino em Joinville

Rua de Lazer aberta a vida aos domingos em Joinville
Rua de Lazer aberta à vida aos domingos

Tive a imensa oportunidade de voltar a Joinville com a Oficina de Customização de Bikes Na Casa da Cecília e dessa vez o universo nos amou ainda mais e um deu match com o Pedal Feminino, que ia rolar na mesma data e no fim rolou tudo junto ao-mesmo-tempo. Leia o post completo

Morro da Cruz, Lagoa e Joaquina: um domingo feliz

O mirante do Morro da Cruz
Sendo lindos no mirante do Morro da Cruz #nessemorroeunaomorro
Vista do Morro da Cruz
Florianópolis, que já é linda, fica ainda mais incrível quando vista de cima.

O domingo era de inverno, mas o calor era quem tava no comando. Foi dia de acordar ‘cedo’, porque agora tem subida para o Morro da Cruz todos os domingos, às 10h (par-ti-ci-pe). Essa subida é  coisa linda & maravilhosa e eu vivo praticando – como vocês já cansaram de ver. Leia o post completo

Minha academia é um morro

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Nesse morro às vezes eu morro

Tive um momento grandes-ideias-que-salvaram-a-humanidade e convidei uma amiga: ‘Deia, o que você acha da gente subir o Morro da Cruz durante 30 dias?’ e, antes que eu começasse a explicar o porquê disto, ela topou. Eu nunca usei a bicicleta como esporte. Pelo contrário, gosto de pedalar porque me exercito sem que meu corpo perceba, o que funciona bem pra mim. Porém, eu que pedalava todos os dias para ir trabalhar, tô há um ano sendo freela em casa, então aqueles quase 1.000 km que fazia todos os meses viraram algo muito próximo de zero.

Próximo de zero, porque praticamente toda vez que saio de casa, saio de bike. Uma das saídas que faço semanalmente, é participar do Nesse Morro Eu Não Morro, um pedal que meu querido criou para estimular pessoas a pedalarem até o mirante do temido morro, mesmo que você não seja um ‘biker’. Toda quarta eu reclamava, saía de casa meio contrariada e voltava a 5000 volts tocando o terror. A sensação de disposição e bem estar se prolongava por mais um ou dois dias, então concluí ‘deve ser foda fazer isto todos os dias’.

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No primeiro dia do desafio

Convidei a Deia e ela topou. Combinamos então subir aquele morro até o dia 15/03 – quando aconteceria uma prova de subida do morro da cruz (feita por atletas e não duas abobadas). Começamos numa sexta-feira. Treze. De Carnaval. Além de tudo, o tempo estava feio. Mas fomos, porque somos lindas. Leia o post completo

Pelo caminho mais longo

Quando você sai de casa para passear, qual o critério para escolher o caminho? O que é mais perto? O que tem menos semáforos? O que você sabe ir e voltar como na palma da sua mão? Quando eu saio de bicicleta pra passear, eu escolho o caminho mais agradável. Não necessariamente o menor ou mais plano. Aliás, normalmente são os caminhos com estradas ‘piores’ e subidas extras.

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Saída do grupo no Horto Florestal

Dia desses a gente foi para Jurerê Internacional com a galera do Pedal de Quinta, mas eu tenho birra com a SC 401 e a Deia estava conosco e pedalava há pouco tempo, então o Vini nos guiou por um caminho alternativo, que consistia em subidas e descidas a mais, uma estradinha de terra e quase o dobro da quilometragem.

O legal de fazer algo assim, é que aumentam (em muito) as chances de você parar em um lugar que nunca esteve – como foi o caso da Deia no Cacupé. Ainda mais em Florianópolis, que é uma cidade generosa em seus cantinhos e tem muito a oferecer.

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Transpirando alegria no lindo bairro do Cacupé

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Pedal L’amour

Hoje é dia Dia de São Valentim, o famoso Valentine’s Day na gringa. Apesar da data não ser tão celebrada por aqui, decidi fazer uma homenagem e aproveitar para falar dos casais que pedalam juntos.

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1. Quem nunca sai por aí carregando a moça de vestido vermelho e o ursinho de pelúcia; 2. ‘Tá tão ruim isto daqui, que vou botar um pezinho no chão enquanto o fotógrafo tira a foto’; 3. Tranquilamente carregando a namorada na contramão. (via Eleanor’s)

A inspiração veio deste post, do blog da Eleanor’s, uma loja hype e maravilhosa de Nova Iorque, mas que desta vez viajou bonito ao listar casais com nenhuma ligação com a realidade e, o pior, com as mulheres sendo sempre carregadas. Ora, bolas, carambolas, desde quando ‘casais pedalando’ significa o bróder levando a mocinha como se fosse um ornamento? Olha, se você quiser ser carregada, te dou meu apoio, mas posso dizer que nunca vi disto e que tem um montão de mulher pedalando – melhor que muito manolo – por aí. Leia o post completo

Calor não é problema

Eu tinha um compromisso importante a 12km de casa e o calor tava de matar (boladefogo.mp3), mas né, quem disse que eu pensei em ir de outro jeito senão pedalando. Em dias como este, pode até dar aquela vontadezinha de abandonar a magrela, mas tem jeito para tudo.

Desta vez, resolvi indo cedo e com outra roupa. Como a reunião era num restaurante que adoro, decidi ir antes – o que significava sair de casa perto do meio dia – e almoçar por lá mesmo. Assim, dava tempo de parar de suar e ficar diva para a reunião.

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Saindo de casa num vibe esporte-rayo-laser

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Pequenas pedaladas viram grandes tarefas

Fui buscar alguns documentos no IGP, que fica uns 5km da minha casa. O instituto fica num canto do Itacorubi, em um lugar sofrível para se chegar de ônibus e possui um congestionamento volumoso para quem quer ir de carro. Esta é uma distância chave: longe demais para se ir a pé, perto demais para se ir de carro e confuso demais para se ir de ônibus. Impossível de ir? Não, fui de bike e em menos de vinte minutos estava lá.

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Apesar das inúmeras vagas – sempre lotadas – do local, não há nenhum bicicletário. Neste caso, foi uma baita sorte, já que prendi a bike bem na entrada, com direito a sombra e tudo.  Normalmente não tem problema em prender no corrimão, desde que não seja um acesso de cadeirantes ou que fique atrapalhando o caminho.

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No mundo a passeio

Certa vez, conheci uma família paulistana. Eles me contaram que estavam adorando Florianópolis, que aqui era um paraíso e estavam muito felizes por visitar a cidade. Eu retribuí a gentileza e disse que era apaixonada por São Paulo. Eles me olharam atônitos. Continuei. Disse que só na Paulista, eu poderia ficar um mês vendo exposições gratuitas. No fim, para resolver o impasse, a mãe da família me disse ‘Pois é, São Paulo só é boa para quem está a passeio’. Leia o post completo