Percepções

Medo de pedalar y otras cositas más

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via Planeo.

Era aniversário de uma amiga muito especial e a comemoração seria no Centro – uns 8 ou 9km da minha casa. O tempo, há dias, intercala entre infinita chuva e um detestável chove-não-molha. Sou acostumada a pedalar na chuva e sei bem das manhas para me virar: levo outra roupa, se precisar outro sapato. Tenho capa, refletivos exagerados e uma certa experiência com freios que não respondem tão bem e motoristas despreparados. Mas este dia não. Neste dia parecia não ter nenhuma destas aptidões. Leia o post completo

Não existe machismo no ciclismo

Hoje reencontrei um vídeo que adoro, em que Bek monta a sua própria bicicleta. É um vídeo conceitual, feito para inspirar, não para ser um tutorial faça-você-mesmo. Jon, quem fez o vídeo, conta que gosta muito de ver vídeos de bicicleta em blogs e afins, mas notava que praticamente todos os vídeos eram feitos por homens. Foi então que ele teve a ideia de criar este com a Bek montando a sua primeira bicicleta.

She Builds from Jon Chew on Vimeo. Leia o post completo

Dia da Mulher

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Maria E. Ward – ciclista e escritora do livro ‘Bicycling for Ladies’ de 1896.

O que a bicicleta faz: Sobre rodas, você tem logo um sentimento de responsabilidade. Pode fazer o que quiser dentro de limites razoáveis; a todo momento precisa julgar e determinar pontos que antes você não tinha de considerar; consequentemente, você se torna alerta, ativa, com a visão aguçado e intensamente viva, tanto com relação aos direitos dos outros quando aos seus próprios.”

Maria E. Ward – 1896

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Pelo caminho mais longo

Quando você sai de casa para passear, qual o critério para escolher o caminho? O que é mais perto? O que tem menos semáforos? O que você sabe ir e voltar como na palma da sua mão? Quando eu saio de bicicleta pra passear, eu escolho o caminho mais agradável. Não necessariamente o menor ou mais plano. Aliás, normalmente são os caminhos com estradas ‘piores’ e subidas extras.

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Saída do grupo no Horto Florestal

Dia desses a gente foi para Jurerê Internacional com a galera do Pedal de Quinta, mas eu tenho birra com a SC 401 e a Deia estava conosco e pedalava há pouco tempo, então o Vini nos guiou por um caminho alternativo, que consistia em subidas e descidas a mais, uma estradinha de terra e quase o dobro da quilometragem.

O legal de fazer algo assim, é que aumentam (em muito) as chances de você parar em um lugar que nunca esteve – como foi o caso da Deia no Cacupé. Ainda mais em Florianópolis, que é uma cidade generosa em seus cantinhos e tem muito a oferecer.

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Transpirando alegria no lindo bairro do Cacupé

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Pedal L’amour

Hoje é dia Dia de São Valentim, o famoso Valentine’s Day na gringa. Apesar da data não ser tão celebrada por aqui, decidi fazer uma homenagem e aproveitar para falar dos casais que pedalam juntos.

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1. Quem nunca sai por aí carregando a moça de vestido vermelho e o ursinho de pelúcia; 2. ‘Tá tão ruim isto daqui, que vou botar um pezinho no chão enquanto o fotógrafo tira a foto’; 3. Tranquilamente carregando a namorada na contramão. (via Eleanor’s)

A inspiração veio deste post, do blog da Eleanor’s, uma loja hype e maravilhosa de Nova Iorque, mas que desta vez viajou bonito ao listar casais com nenhuma ligação com a realidade e, o pior, com as mulheres sendo sempre carregadas. Ora, bolas, carambolas, desde quando ‘casais pedalando’ significa o bróder levando a mocinha como se fosse um ornamento? Olha, se você quiser ser carregada, te dou meu apoio, mas posso dizer que nunca vi disto e que tem um montão de mulher pedalando – melhor que muito manolo – por aí. Leia o post completo

Que se feda

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Via Pinterest.

Eu sou uma pessoa péssima. Se o mundo fosse um lugar justo – e sabemos bem que ele não o é – meia dúzia de comentários meus seriam o suficiente para ter minha existência na terra cancelada. Sou capaz de ser cruel e urdir comentários completamente desajustados por horas a fio.

Apesar disto, nunca, jamais, na minha existência, parei para listar quem são as pessoas que conheço que fedem. Pode procurar nos meus arquivos ou na contracapa da minha agenda de 1999: nada será encontrado. Leia o post completo

Baby steps: pedalar é um lance de pequenos passos

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Em uma posa deveras esquisita no Mirante do Morro da Lagoa neste domingo.

Toda vez que eu vejo alguém fazendo alguma coisa que eu não sei fazer, mas gostaria, fico pirando. Fico imaginando o quão especial, bem dotada, iluminada esta pessoa é. Fico assim quando vejo uma ilustração foda, um cara falando francês ou alguém cozinhando rocambole vegetariano. É óbvio que o bicho que super ilustra não começou ontem, o cara que fala francês tá nesta faz tempo e o rocambole só sai aquela maravilha porque muitos outros deram errado. Só que parece místico porque não fui eu que passei pelo processo e eu fico me enganando que aquele sujeito tem super poderes e por isto faz tudo aquilo que eu não sei. Leia o post completo

Perca 5kg em um mês

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Euzinha em um dia ‘me sentindo a maior monstra da história’.
Foto linda do Vinícius (Leyser da Rosa) no Cacupé.

Atenção: este é o posto mais sensacionalista (até agora!) do Pedal Glamour. 🙂

Eu já fui várias, mas certamente, a minha versão mais insuportável, é a versão ‘de dieta’. Falando em dieta, eu já fiz muitas. Eu era tão desagradável, que não podia ver alguém comendo algo saboroso, que já metralhava ‘Você sabe quantas calorias tem cada biscoito deste?‘. Me impressiona que eu tinha amigos.

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Bernardo

Meu carro é uma bicicleta

Bernardo
Foto Vinícius Leyser da Rosa

Tô eu e o Vini voltando na Beiramar de São José, quando decidimos parar um pouco na pista de skate / bicicleta que tem lá. O Vini vê as rampas, se empolga e brinca um pouco e chega um menino miúdo e diz ‘Pô, tio, é só isto que tu sabe fazer?’. Era o Bernardo, cheio de personalidade e destilando desafios para qualquer forasteiro que aparecesse por ali.

Bernardo tem 11 anos e uma vivência toda especial com a cidade. Era mora há 4 km dali e vai de bicicleta para onde bem entende. É um menino livre. Perguntei para ele como ele fazia para chegar até ali e ele respondeu:

– De bicicleta, ué. Minha bicicleta é o meu carro. É minha moto também. Só que tunado, sabe?

– Tunado por quê, Bernardo?

– Ué, não tenho freio. Então é tunado.

– Não tem freio por quê?

– Ah, nunca teve. Quer dizer, teve né, mas foram muitos tombos por aí.

– Toma cuidado aí, menino.

– Eu, hein, tia. Vou é procurar um bar por aqui. Quero comprar uma coca.

Bicicletêra

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Foto Vinícius Leyser da Rosa

Quando eu comecei a andar de bicicleta, um mundo de coisas novas surgiram na minha cabeça. Foram tantas novidades, que temi me apaixonar demais pelo assunto e, de repente, me tornar uma ciclista.

Foi então que me disseram que, já que estava andando por vários cantos da cidade, eu deveria começar a usar um capacete. Pela-mor-de-deus, um capacete? Seria o fim. Eu me tornaria de vez uma ciclista.

Mas aí me explicaram “o porquê” (entre aspas, porque é bem controverso!) de um capacete eu fui convencida: melhor ser alguém de capacete parecendo uma ciclista do que colocar minha segurança em risco. Comecei a usar o artefato mais feio da minha existência e torcia para não encontrar nenhum conhecido na rua.

Eu tinha pânico do título. Eu não queria nada da vida. Não queria me tornar nada. Só queria chegar rápido na faculdade e, por acaso, seria de bicicleta. Ciclistas, para mim, seriam seres chatos, preocupados com a performance e usando shorts de lycra. Pra mim, era o mesmo que o terror-visual: capacete, lycra e vestimentas com patrocínios, cores e marcas feias. Além do que, quando eu encontrava com um destes, na ciclovia ou na rua, já me desesperava, ia para o cantinho, para dar espaço para os velozes seres passarem logo por mim. Eu sabia que era lenta e desajeitada e não queria nem atrapalhar e nem brigar com ninguém.

O tempo passou, este debate interno foi sendo esquecido e eu conheci gente que pedalava, mas não se encaixavam no perfil de ciclista que eu tinha pré estabelecido. Foi um alívio saber que existia vida além da lycra e eu pude seguir com meu capacete rayo-laser.

Mas, afinal, qual é o problema de ser ciclista? Hoje fica estranho entender, porque já pedalo e já sou ‘a-amiga-ciclista’ de muita gente e pra mim, tanto faz ser chamada assim ou de qualquer outra forma. Mas naquela época, seria o mesmo que jogar a minha personalidade no lixo. Eu preferia ser vista como uma bêbada rebelde, do que achassem que eu estava praticando algum esporte.

A verdade é que os ciclistas não possuem, necessariamente, uma fama muito legal. A palavra tem um peso esportivo que não condiz com todos. É mais um rótulo que limita e desencoraja. Tanto que em inglês, muitos ativistas preferem usar a expressão bicyclist. Para eles a palavra cyclist tem uma conotação negativa e faz com que quem não ande de bicicleta, acredite que para ser um ciclista você precisa ter uma “identidade” especial ou fazer parte de uma subcultura.

Então, não se apegue com o título de ciclista. Não se importe em caber ou não neste rótulo – ou em qualquer outro. Diga que você usa a bicicleta, que você é uma pessoa de bike, diga qualquer coisa. Foi o que eu fiz e funcionou super bem.

No fim das contas, me tornei uma ciclista famosa por estar sempre de vestido e saia ou por pedalar distâncias maiores de tênis e lencinho na cabeça. Aprendi também a escolher peças que não comprometessem o meu estilo e que fossem também boas para pedalar. Sempre lembro as pessoas que a bicicleta não precisa (e nem deve) limitar o seu vestuário. Então, se um de seus problemas é não parecer um triatleta com óculos de lentes laranjas e capacetes vindos de um mundo renderizado-paralelo, pode arranjar outra desculpar: pedalar pode e deve sim, ser um ato de muito estilo.

P.S.: Se você não quiser usar capacete, está tudo bem. Não é obrigado por lei e este é um debate bastante controverso – e é, sem dúvidas, assunto para ser discutido mais além.