Começando a Pedalar

Moça, você está perfeita para começar (ou voltar) a pedalar.

Um completo desastre: era a imagem que eu via no espelho. Não precisava me pesar para saber que tinha ganhado quilos e minhas roupas não entravam. Como se o auto ódio não fosse suficiente, comentei com uma amiga como estava me sentindo. Às vezes fico na dúvida se isso nos alivia ou se só fazemos isso para espalharmos o vírus da insegurança mesmo. Se eu tô na bad, outra também pode estar.

Ela, por sua vez, me deu uma resposta surpreendente. Disse que era para eu me olhar no espelho e falar em voz alta que estava linda. Relutei muito, mas tentei. Dei aquela conferida esperta de quem tá fazendo algo errado, para ter certeza que nenhum outro ser humano iria saber da existência daquela cena patética: eu, supostamente horrenda, dizendo para mim mesma que estava linda. Fiz, morri de vergonha e comecei a rir de mim mesma. Ora, já é melhor do que se odiar, pensei (e continuei praticando).

Desde muito novas e, de maneira muito cruel, somos ensinadas que o nosso valor está em quanto pesamos na balança. No quão poderosa é a nossa capacidade de domar os nossos cabelos. Do quão ninjas somos em depilar a virilha e não deixar as inflamações que vão se formando ao longo dos anos escondidas. O peso do como nós ‘devemos parecer’ é devastador e ele ainda tem mais dois efeitos colaterais que me fazem questionar a humanidade todos os dias.

O primeiro deles é que tornamos praticamente todas as outras mulheres nossas rivais (e, por muitas vezes, inimigas). Por serem mais magras, mais bonitas, mais adequadas, mais contidas. Por qualquer ‘motivo’ que nos deixe para trás no quesito: ser linda e, então, vencer na vida.

O segundo é que essa overdose de exigências sobre como devemos parecer e nos comportar, nos afasta da nossa deliciosa faceta de viver o mundo do lado de fora. Suando, praticando esportes, descendo ladeiras ou fazendo qualquer outro caralho de coisa que a gente queira (mas, em geral, nem sabemos que podemos querer).

via Empodere Duas Mulheres

O número de mulheres em cima de uma bicicleta é pífio, não importa se como transporte, esporte ou lazer. As poucas que dão a cara a tapa e vão, são vítimas de comentários completamente imbecis de homens (tanto no pedal, quanto na rua). Se sentem inseguras, inaptas, estranhas. Com uma frequência absurda, são as ‘louquinhas’ do grupo do amigos. Ou as revoltadas. Afinal, sempre dá para enfiar uma mulher em um rótulo que a lembre do quão inadequada ela está sendo.

Sair de bicicleta é se olhar no espelho e dizer, mesmo sem acreditar muito, que você é linda. Você tem o mundo inteiro te dizendo que o mais oportuno seria se odiar. Dizendo que melhor mesmo é tomar a sua dose diária de veneno. Que ficando em casa você está mais segura. Não é fácil mesmo: você irá questionar o seu físico trezentas vezes. Irá questionar os perigos da rua dez vezes mais. E não, nem estou falando tanto do medo de ser atropelada. É medo de estar com a cara na rua no meio de vários homens que podem te fazer mal. Muito mal.

Se você for mulher e quiser pedalar, provavelmente, terá que negociar quem irá ficar com seu filho. Ou terá que pedir para alguém (normalmente um homem) te acompanhar em um caminho menos movimentado. Terá que dormir mais tarde para cozinhar no dia anterior e deixar a refeição da família pronta para quando você não estiver em casa. Enfim, você terá que fazer das tripas, coração. Nada novo.

Apesar de tudo, se você gosta (ou acha que gosta) de pedalar, eu ainda a encorajo a ir. Vá mesmo se achando ‘gorda’*, errada, despreparada, subversiva. Vá. Se tiver amigas para ir contigo, melhor ainda. Monte um grupo. Se não tiver, vá sozinha. Vá como der para ir**. Se encontrar outra mulher no caminho, sorria para ela. Vocês podem ainda não saber, mas são todas partes de uma grande luta.

Sempre que quiser, pedale. Pedale como uma guria: enfrente todos os empecilhos e ainda se mantenha de pé. Somos todas irmãs. E ah, como nunca é demais repetir, contem comigo.

Pequeno aviso:

*Ser gorda não é ruim. Além disso, reproduzir esse discurso é opressivo para quem é gordo.

**Dicas de segurança e mecânica estão por toda a internet. Você consegue sair (apesar do medo) sem ser irresponsável (caso você tenha pensado nisso).

Faça um favor a si mesma, tome esses remédios (no lugar do veneno):

Esse post é dedicado a (não necessariamente nessa ordem): Laila, Carla, Deia, Nani, Cris, Mariele, Deisy, Aline, Marcella, Rafi e a todas as incríveis mulheres que me tiram do sofá e me fazem crer que pedalar é sim um ato de amor próprio. E, é claro, uma revolução.

Foto Vinícius Leyser da Rosa

 

Moça, você está autorizada a empurrar.

empurre-essa-bicicleta-pedal-glamourUm surto de autoimportância pode nos fazer crer que somos o centro das atenções. Normalmente não acontece quando compramos um vestido novo ou usamos aquele batom vermelho bafo, mas sim quando nos sentimos fazendo algo de errado. Comumente, ao começar a pedalar, achamos que todo o planeta terra está prestando atenção na nossa falta de coordenação motora, no medo dos nossos olhos e na nossa lentidão de iniciante.

De verdade, ninguém se importa. As pessoas estão ocupadas demais com seus próprios dramas para sair julgando você. Mesmo assim, tem hora que a gente congela. Pode ser porque um motorista passou perto demais, porque ficamos confusas em como agir num cruzamento ou simplesmente porque o nosso corpinho não sabe lidar com tudo aquilo.

Daí a gente se faz mentalmente aquela pergunta ‘mas que raios eu fui inventar isso?’ ou a famigerada ‘o quê eu tava pensando da vida, dels?!’. Afinal, sair da zona de conforto não é tarefa fácil e começar a pedalar nos lembra disso a cada segundo. Sendo assim, o que podemos fazer na hora que o desespero bate? Ora, empurrar.

Por muito tempo, eu mais carreguei a bicicleta do que pedalei. Eu só andava na ciclovia. Fim. Qualquer outro metro fora dela, eu sentia que algum imbecil iria me moer. Então eu parava e empurrava. Empurrava por quilômetros. Levava tempo. Só que a cada dia, ao empurrar, eu percebia o comportamento dos motoristas, entendia melhor o trajeto que estava fazendo e ia ganhando autoconfiança.

Foram meses me sentindo ridícula por empurrar, mas também foram momentos decisivos para que eu não desistisse. Naquela época, eu descobri que respeitar meus medos, mas também enfrentá-los, era vital para que a a bicicleta se tornasse o meu meio de transporte principal.

Então, moça, se você estiver apavorada, não se preocupe: você também está autorizada a empurrar. Está permitida a se sentir observada, julgada e, veja bem, admirada. Porque, no fim das contas, você está – ainda que devagarinho – criando uma nova rotina. E, calma, é aos poucos que as coisas vão dando certo. Na próxima vez que você pensar em desistir de ir pedalando porque está com medo, lembre-se: em caso de dificuldade, você sempre poderá empurrar.

+ Para animar a pedalar por aí:

 Imagem via Modices.

A vida é muita curta para se usar uma bicicleta ruim

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Via Pinterest

Dia desses fui levar a bicicleta do meu irmão para arrumar. O quadro da bike era imenso e para compensar, o banco estava bem baixo (baixo até demais). Os pneus estavam razoavelmente vazios, mas o caminho era próximo e praticamente todo feito em ciclovia.

Fui assim mesmo, com a bolsa pendurada no ombro, com a bicicleta completamente desregulada e desadequada para mim. Andei uns poucos metros e comecei a ficar nervosa. Me arrependi de não ter subido o banco. Pensei em parar e fazê-lo, mas tive aquela sensação de que todos estariam me olhando e era melhor encerrar aquilo o quanto antes. Leia o post completo

5 bicicletas brasileiras com estilo europeu

5-bicicletas-estilo-europeu-01Há 20 e tantos anos atrás, Fernando Collor, então presidente do Brasil, disse uma frase que ficou para a história:  “Comparados com os carros do mundo desenvolvido, os carros brasileiros são verdadeiras carroças”. Tenho minhas duvidas, mas aparentemente esta realidade mudou para os automóveis. Porém, se olharmos para o mercado brasileiro de bicicletas, parecemos parados no tempo. Leia o post completo

Começando (mesmo) a pedalar: Ingrid

PedalGlamour_Ingrid_01Já concluí que todo o adulto que não aprendeu a pedalar, acredita ser o único nesta situação. Não poderiam estar mais errados: muita gente cresce sem subir numa bicicleta. Felizmente, faço parte do Bike Anjo, coletivo que ajuda pessoas de todas as idades a aprender a pedalar e hoje participei de um atendimento bem legal: o da Ingrid. Leia o post completo

Que se feda

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Via Pinterest.

Eu sou uma pessoa péssima. Se o mundo fosse um lugar justo – e sabemos bem que ele não o é – meia dúzia de comentários meus seriam o suficiente para ter minha existência na terra cancelada. Sou capaz de ser cruel e urdir comentários completamente desajustados por horas a fio.

Apesar disto, nunca, jamais, na minha existência, parei para listar quem são as pessoas que conheço que fedem. Pode procurar nos meus arquivos ou na contracapa da minha agenda de 1999: nada será encontrado. Leia o post completo

No mundo a passeio

Certa vez, conheci uma família paulistana. Eles me contaram que estavam adorando Florianópolis, que aqui era um paraíso e estavam muito felizes por visitar a cidade. Eu retribuí a gentileza e disse que era apaixonada por São Paulo. Eles me olharam atônitos. Continuei. Disse que só na Paulista, eu poderia ficar um mês vendo exposições gratuitas. No fim, para resolver o impasse, a mãe da família me disse ‘Pois é, São Paulo só é boa para quem está a passeio’. Leia o post completo

Roupa Livre em Floripa

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Magrelas posando no Vilaj. Elas sempre ficam bem nas fotos.

Ontem rolou o primeiro Roupa Livre em Floripa e foi lindo! O projeto propõe um novo ponto de vista para o nosso consumo – tantas vezes absurdo –  e aconselha que tenhamos um outro olhar para as peças que compramos e descartamos. Além de um baita troca-troca de roupas, ainda rolou um papo sobre estilos de vida, em que eu, a Mari Pelli e a Cristal Muniz (Um ano Sem Lixo) contamos um pouco das nossas histórias.

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Começando a Pedalar: Deia

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Divando na ciclovia 🙂

A Deia mora pertinho do trabalho, mas longe o suficiente para levar uma vida indo a pé. Ela faz doutorado na UFSC e não curte o pandemônio que é ir de carro e enfrentar um baita congestionamento e depois ainda ter que ficar na caçada de uma vaga de estacionamento. Então, é claro, ela já tá com a ideia de ir de bicicleta para o trabalho faz um tempo.

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De bicicleta para o trabalho

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Indo buscar a Luana na Beiramar de São José. A paleta de cores combinando foi pura coincidência. Juro. Mas ficou ótimo, né? Foto Vinícius Leyser da Rosa.

A Luana começou a pedalar tem pouco tempo, mas isto não quer dizer que ela já não tenha feito muito. Se no começo ela tinha uma bicicleta cheia de problemas e nunca tinha feito grandes distâncias, tudo isto ficou no passado.

Depois de comprar uma bicicleta nova e adequada ao seu uso, a Lu fez pela primeira vez o trajeto completo entre a sua casa e o trabalho.  Leia o post completo