Articles by: Naiara Lima

Suor, músculos e esportes: por que estes não são valores tidos como femininos?

Em uma mão eu segurava uma garrafa de cachaça de banana artesanal e na outra eu tentava, sem sucesso, golpear meu interlocutor. Espumando de ódio com a minha reação agressiva, ele disse “Sabe por que você tenta bater em todo mundo? Porque você tem a mais absoluta certeza que não irá apanhar de volta. Vou te dar uma dica: começa a treinar uma luta e vamos ver se tu não para rapidinho com esses chiliques”. Tudo terminou com ele me passando o endereço da aula de boxe.

Eu tinha uns 20 anos e até então nunca tinha gostado de nenhuma atividade física. Na verdade, eu odiava me movimentar. Ironicamente, sempre fui tida como hiperativa. Sem controle algum da minha vida, na época me apeguei a única coisa que (sentia que) poderia controlar: meu peso. Gastava horas da minha existência planejando o que não iria comer, vivendo a base de Molico Light, maçãs e muito álcool. Lendo coisas bem obscuras na internet, fui sacando que o segredo da magreza era comer o mínimo possível enquanto gastava o máximo de calorias. Comecei a caminhar e até entrei na academia. Em nenhum momento, isso foi considerado esporte por mim. Era só sobre as calorias.

Na segunda-feira após a festa da cachaça de banana, procurei sobre boxe. Não tinha sequer assistido Menina de Ouro, então meu repertório sobre a luta era aproximadamente nada. Do fundo da minha alma, aquilo parecia mesmo algo que me faria feliz, mas o que me levou lá de fato foi a informação da Boa Forma de que uma aula poderia gastar até 800 calorias.

Ainda que se movimentar para manter o corpo esquálido seja uma atitude dolorosa, é nesse movimento que boa parte das mulheres se encontram com o esporte. De fato, parece mais uma punição por ter comido, do que pelo mero prazer de suar, eliminar tensões e se divertir. Pode até funcionar menos do que ir sorrindo para o treino, mas funciona.

Na infância, 69% das entrevistadas disseram que praticavam esportes por diversão.
A partir dos 18 anos, 53% acha outra motivação: o emagrecimento.
(Fonte: Olga Esporte Clube)

Esporte como cura

Cheguei na tal aula de boxe só para assistir. Levei uma amiga de tiracolo, porque estava apavorada. Chegando lá, o professor era um senhorzinho com sotaque português. Para minha sorte, tinham duas ou três meninas praticando. Eu não sabia na época, mas representatividade é tudo. O professor, logo que pôde, veio falar comigo. Me convenci a aparecer na próxima aula pronta para experimentar.

Nem no meu maior otimismo eu poderia imaginar o quão apaixonada eu ficaria pelos jabs e diretos. Mas o começo não foi bem assim. Com a coordenação de uma foca de quem nunca tinha praticado esportes, eu me embananava toda. Somado a isso, eu era excessivamente agressiva, confundia a direita com a esquerda, nunca tinha pulado corda e relutava em receber ordens. Era a aluna mais insuportável que algum professor poderia desejar e, diferente do que eu esperava, o professor viu em mim um enorme potencial.

Meu professor, Sr. Adilson, me salvou de mim mesma de maneiras que não posso explicar. Me faltam palavras para definir o quão paciente e dedicado ele foi nos meses que segui insistindo em aparecer na aula. Ao invés de ir contra a minha agitação-agressiva, ele me cansava bastante com exercícios. No lugar de perder a paciência, ele me fazia repetir os movimentos na frente do espelho até eu conseguir. Ele viu que aquela pedra bruta e canhota, tinha sim, potencial para gastar sua energia em coisas bem melhores que dietas e brigas.

As aulas de boxe foram um divisor de águas na minha vida. Ali eu descobri que passei a vida toda odiando algo que, honestamente, eu sempre amei: me movimentar. Ao me mexer, comecei a fazer as pazes com meu corpo: a partir daquele momento, ele não era um instrumento que precisava ser controlado. Muito pelo contrário, ele precisava ser libertado. Coincidência ou não, foi nessa mesma época que comecei a pedalar.

Reese Witherspoon como Cheryl Strayed no filme Livre. (fonte)

Pode parecer um fato isolado, mas são muitas as mulheres que se curam ao suar. Simone De Beauvoir, por exemplo, aceitou lecionar em Marselha, longe de Sartre e de Paris, na esperança de se fortalecer como indivíduo. Fez isso por meio de caminhadas extenuantes, que começariam com um par de horas e, ao ganhar resistência física e confiança, suas caminhadas chegaram a ter mais de 40 quilômetros diários.

“Os amigos de De Beauvoir preocupavam-se com ela e aconselhavam-na a
desistir daquelas perigosas caminhadas solitárias. Em especial, insistiam que
parasse de pedir caronas [até as estradinhas que caminhava].
Porém, ela estava numa missão muito mais relevante
que qualquer coisa que eles imaginassem.
Com firme propósito, ela estava recuperando sua alma.
O que significa assumir a pessoa que se é? Significa assumir a responsabilidade
pela própria existência. Criar a própria vida. Planejar a própria programação.
As caminhadas de Simone de Beauvoir se constituíam no método e eram o símbolo
de seu renascimento como indivíduo.
“Sozinha andei sob a névoa que cobria o cume de Sainte-Victoire, e percorri a cordilheira do Pilon de Roi, avançando contra um forte vento que atirou minha boina vale abaixo.
Sozinha novamente, 
perdi-me numa ravina montanhosa na cadeia do Luberon. Esses momentos, com
todo o seu calor, ternura e fúria, pertencem a mim e a ninguém mais.”
(retirado do livro ‘O Complexo de Cinderela’ de Colette Dowling)

Histórias similares se repetem, como a que Cheryl Strayed conta em seu livro Livre: uma história de autodescoberta, sobrevivência e coragem, em que relata a sua odisseia de mais de 1.600 quilômetros pela Pacific Crest Trail. Também podemos lembrar de Annie “Londonderry” em sua pioneira volta ao mundo de bicicleta. Enfim, exemplos não nos faltam de mulheres que superaram seus demônios ao escolherem se movimentar.

Como ‘devemos’ aparentar x como aparentamos ao nos exercitar

Angels da Victoria Secret: a síntese do padrão ‘perfeito’ da feminilidade. (fonte)

Não é à toa que maioria das mulheres diz buscar emagrecimento ao invés de diversão nos esportes. Ser magra, aparentemente, é melhor do que ser feliz.

Com os padrões tão irreais quanto inexequíveis de belezas, nós mulheres estamos sempre aprisionadas em querermos ser mais magras, mesmo que isso nos custe a sanidade mental, nossa saúde e a tal da felicidade.

Ao superarmos nossos limites controlando calorias, gastamos esta oportunidade de nos superarmos para fortalecer a nossa autonomia. Ao competirmos sobre quem emagreceu mais entre as amigas, não nos encontramos enquanto irmãs. Ao sermos ensinadas que suar é algo negativo, só conseguimos vincular o esporte na nossa existência quando precisamos dele para perdermos quilos.

Ou seja: algo bem doloroso. Relacionando bem estar físico e emocional com controle e dietas, nos distanciamos das alegrias de um jogo em equipe, da felicidade em diminuir o próprio tempo, da delícia de ver as tensões sendo desfeitas em cada gota de suor.

“Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”. (Naomi Wolf)

Estandartes da beleza ideal, modelos e celebridades são sempre interrogadas sobre como se mantém lindas e esbeltas. Curiosamente, as modelos mais celebradas possuem corpos bem diferentes daqueles que adquirimos ao praticarmos esportes. A impressão que fica, é que para sermos bonitas, precisamos passar fome.

Diariamente, somos bombardeadas com a imagem de um corpo frágil como o ideal. Performar feminilidade passa longe da prática esportiva. Usualmente, quando mulheres são vistas em trajes esportivos, é meramente sexual – e para agradar homens. Sendo assim, é fácil entender porquê as mulheres praticam muito menos atividades físicas que os caras. Essa junção entre o desejo de uma magreza excessiva, com um corpo sem músculos e suor, nos levam a uma combinação tóxica e violenta – e distante do esporte.

A minha luta é diária e ainda levará muitos anos. Sempre que estou muito afundada emocionalmente, é nas endorfinas que encontro conforto – mesmo antes da tão amada terapia. Busco aprender todos os dias o que me faz e o que não me faz feliz nesse sentido. Gosto de me movimentar quase sem querer: ir ao trabalho, visitar uma amiga ou comprar uma cuca. Quanto mais me movo, mais desejo fazer uma trilha, completar um gran fondo ou subir alguma piramba. Descobri que leveza e disciplina são o que me mantém em paz comigo mesma e repito todos os dias. Mais pelo prazer, menos pelos padrões.

Flavita Banana em sua ilustra que mostra que bicicletas podem ser esporte e diversão ao mesmo. (fonte)

Pra mim, fica sempre o questionamento: quantos oscares, prêmios pulitzer; nobel e etc poderíamos ter nas mãos, se a energia gasta em sermos esquálidas fosse convertida em algo mais interessante e produtivo? Quanto sofrimento não seríamos poupadas se descobríssemos, desde a infância, que o esporte é nosso grande aliado? Quão longe iríamos chegar se descobríssemos que corpos musculosos são humanos e não exclusivamente masculinos? Meu palpite é que nem o céu seria o limite.

Se eu puder te dar só uma dica: ao invés de tentar controlar seu corpo, liberte-o. Estou tentando fazer o mesmo.

 


> Na capa, Annemiek Van Vleuten vencendo o último La Course, com um tempo impressionante, perdendo apenas para dois participantes do Tour de France deste ano: Warren Barguil e Romain Bardet.

> Eu ainda não sei a diferença entre a esquerda e a direita.

 

Rolê merda: os dias em que pedalar foi a pior decisão tomada.

Hoje, chorando desesperada, no tal do Hillesheim (Águas Mornas / SC) que o marido queria tanto conhecer.

A coisa menos provável que se espera dum post em um blog pró-bicicletas, é que andar de bike às vezes é bem bosta. Bem merda mesmo. Mas, vejam bem, meus caros, chegou esse dia.

Tem dia que o rolê é medonho. Que a gente volta para a casa arrependido de ter saído. Porque se arrepender no meio e chegar em casa feliz é normalzão, rola sempre. É recomendado, inclusive. Depois de sofrer numa subindona interminável, as dopaminas invadem o nosso cérebro e ficamos realizados olhando pra baixo e vendo tudo aquilo que vencemos. Ainda tem a glória da descida, a celebração-mor do ‘eu consegui’.

Mas tem rolê que chegar lá em cima é um misto de ‘será que acabou mesmo, pra sempre?’ com ‘caralho, poderia ter ficado em casa rolando barra no Facebook, poderia tá engordando, matando alguém, mas vim nessa filial do inferno sofrer’.

Tem dias que a gente sai para inovar, fazer um caminho que nunca fizemos antes e… se perde. Daí tu tá entre o nada e a puta-que-pariu e não faz a menor ideia do que é menos pior: voltar ou seguir. Normalmente, envolve um trajeto em que você subiu muito, desceu pra caceta e voltar significa subir um monte de novo.

Na Trilha da Antena (Florianópolis /SC) plena e feliz em ter acordado cedo para pedalar.

Às vezes alguém que te ama incondicionalmente – aquele tipo de pessoa que levanta cedo e dá comida pro gato para você continuar dormindo – te mete numa roubada. Se perde; a estrada não passa nem trator; te convida para uma temporada de chuva e terror no inverno recorde desde que os homens anotam as temperaturas; a inclinação da estrada envolve o queixo no guidão e por aí vai {ad infinitum}.

Rolê merda pode ser com quem a gente ama, mas é pior ainda se for com alguém que a gente não morre de amores. Pode ser em grupo, pode ser ideia dum só, pode ser ideia de vários e sempre pode ser ideia de nós mesmos.

Em cicloviagem no inverno recorde de SC (2013). Na Serra da Garganta (Anitápolis /SC) que fiz com 60 litros de bagagem usando uma Caloi City (a bicicleta ao fundo é do Lu Trevisol, idealizador da cilada).

Para lidar com a situação dolorosa, existem alguns que fazem a monalisa e fingem que o chão não tá se abrindo aos seus pés; os que levam paçoquinha e dividem com os angustiados e aflitos; os que pedem para o exército seguir sem eles – pois não irão mais ajudar na batalha. São nesses momentos que conhecemos o âmago de quem chamamos para pedalar.

Pra mim, que graças a deusa não fui socializada com base na masculinidade, a solução é sempre a mais elegante: xingar todos em volta, ficar com ânsia de vômito, ter a mais absoluta certeza que não consigo respirar, arremessar a bicicleta o mais longe possível, sentar e chorar copiosamente. Daí eu levanto, vou mais um pouco e repito o faniquito quantas vezes mais achar necessário, até chegar ao fim da jornada do capiroto.

Com cobertor emprestado em Urubuci / SC depois de dias congelando na cicloviagem supracitada e todas as roupas encharcadas.

A parte boa disso tudo, é que passados alguns dias do martírio, vira sempre uma história boa para contar. Você ganha o direito vitalício de zoar a pessoa que escolheu o trajeto, você será sempre zoado pelo sofrimento dispendido e sempre poderá contar vantagem quando alguém disser que o pedal foi foda: “mas é que você nunca fez tal pedal, aposto”. Daí, meus amigos, pode começar a escrever um livro, que a disputa nunca terá fim.

E no outro dia, estamos lá, de novo, pedalando e vendo se dessa vez vai ser melhor.

https://www.facebook.com/pedalglamour/

Esse post é dedicado ao Vinícius, que me enche de amor, mas também adora me meter numa cilada sem fim. Está perdoado, estou pronta para a próxima – mas não avacalha. ♥

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Picnic Bela na Bike + Pedal Glamour – 2ª Edição!

Dia 16 de julho, domingo, irá acontecer a 2ª Edição do Picnic Bela na Bike + Pedal Glamour. A primeira edição foi no Parque de Coqueiros e esta será no Parque Natural Municipal do Morro da Cruz. O novo local tem motivo nobre: enaltecer o parque, que não é tão conhecido como o de Coqueiros, mas possui uma infraestrutura excelente e conta com uma vista espetacular, além de várias trilhas, quadras de esportes, brinquedos para crianças e etc. Em uma cidade carente por bons espaços comunitários – especialmente no Inverno – como Florianópolis, incentivar a descoberta de novos lugares públicos é algo que faz bem para as pessoas e também para a cidade.

Parque Natural do Morro da Cruz – Foto Diórgenes Pandini / Agência RBS (via).

O plano é simples: reunir pessoas legais, que gostam de pedalar – ou que querem começar – para trocar ideias e comidinhas. O picnic irá começar com um pedal, às 14 horas, saindo da Praça Gov. Celso Ramos (Praça da Woa). De lá, subiremos até o Parque. É uma ótima oportunidade para quem nunca subiu o Morro da Cruz pedalando, considerando que teremos a companhia do grupo e faremos apenas uma parte da subida (o parque fica localizado no meio da ladeira, ufa!). Para quem já é habitué do trajeto, será uma oportunidade festiva de vencer o morro mais uma vez.

Quem não se considera preparado para ir pedalando, poderá ir a pé ou mesmo pegar um ônibus. Há algumas vagas para carros no parque, mas são bem limitadas. Quem preferir ir de carro, poderá oferecer caronas no evento do Facebook. Afinal, a intenção é exaltar a coletividade.

O evento é gratuito e aberto para todos. É uma ótima ocasião para conhecer novas pessoas, dividir aquela receita esperta do seu delicioso bolo de chocolate, descobrir alguém que faz o mesmo trajeto para o trabalho que você e ainda curtir um solzinho no inverno, adquirindo a tão falada e necessária vitamina D.

Estão todos convidados. Sejam muito bem-vindos.

Outras Atrações

Como se pedalar, comer e conversar já não fossem bons o bastante, ainda teremos outras atrações para o dia, como:

  • Oficina Comunitária com Guerrilla Bike Coletivo
    Tragam suas bikes pra fazermos ajustes e pequenos reparos totalmente grátis, e também suas peças encostadas pra vender, trocar, doar… Check up da bicicleta, dicas para pedalar com mais segurança no trânsito, como resolver pequenos problemas na bike de maneira rápida, uso correto das marchas, altura do selim, etc.
  • Apresentação do projeto Saia na Bike com Brenda Goedert
    Muitas mulheres simpatizam com a bike mas ainda assim muitas destas mulheres resistem em incluir a magrela na rotina do seu dia a dia, muito disso por falta de conhecimento, segurança ou até mesmo companhia. O Saia Na Bike nasce para auxiliar essas mulheres a se empoderarem por meio da bicicleta e vem como uma nova fonte de conteúdo independente para estimular a independência feminina em duas rodas!
  • Oficina de Bike Polo com Bike Polo Floripa
    O Bike Polo surgiu na Irlanda aproximadamente em 1891, quando a bike veio para substituir os cavalos, respeitando os dias de descanso dos animais. Em 2017, Floripa sediou o II campeonato Sul Americano! Evento lindo, porém com nenhuma disputa de times femininos.
    Assim, a oficina Bike Polo com essas minas lindas vem para apresentar esta nova forma de se divertir, de aumentar a participação feminina, de mostrar como melhorar habilidades como equilíbrio, agilidade, concentração, coordenação e resistência.
    Levar: capacete, a magrela e a vontade de aprender e se divertir!
  • Vinhos com Empório Dijon
    Pode só levar as comidinhas porque o Empório Dijon estará no evento com uma seleção de vinhos em taça! Teremos vinho tinto, rosé e espumante para garantir uma tarde ainda mais gostosa!

Você tem alguma atividade que se enquadra no evento? Escreva para nós 🙂 Queremos te escutar!

Informações

  • O quê: Picnic Bela na Bike + Pedal Glamour (2ª Edição)
  • Quando: 16 de julho, domingo. A partir das 14h30.
  • Onde: Parque Natural Municipal do Morro da Cruz (Av. do Antão, s/nº). Centro. Subida do Morro da Cruz.
  • O que levar: Canga, toalha, comidas e bebidas para você e, se possível, para compartilhar. O parque possui mesas para picnic e uma área verde bem agradável para curtirmos o lado de fora. E ah, levar uma casaquinho extra vai muito bem, porque no parque costuma ser mais frio que o normal.
  • Como chegar:
    • De bike: pedal saindo da Praça Gov. Celso Ramos (Praça da Woa) às 14 horas. Subida acentuada, mas com ritmo bem tranquilo, com disponibilidade para empurrar a magrela se for o caso.
    • A pé: A caminhada da Praça Gov. Celso Ramos até o Parque leva cerca de 30 minutos.
    • De ônibus: A linha 160 – Morro da Cruz tem saída do Ticen – Plataforma A Lado 2 às 12h50, 14h25 e 16h40 aos domingos. Custa R$3,90. Confira o itinerário e os demais horários aqui.
    • De carro: Há poucas vagas na parque, mas é possível chegar de carro também. Caso você tenha espaço sobrando no carro, ofereça carona no evento do Facebook 🙂
  • Confirme sua presença no evento do Facebook!

Bora lá, pessoal! Participe, convide os amigos, venha curtir o lado de fora!

Bike arte: 07 mulheres que retratam a rotina de quem pedala com suas criações

Um dos efeitos colaterais mais interessantes do uso da bicicleta, é o da cultura da bike. Eventos, coletivos e, claro, arte. Seja por meio de colagens, ilustrações, quadrinhos ou fotografias, artistas que pedalam parecem extrair a essência de como nos sentimos ao montarmos em selins, de um jeito autêntico e, na maioria das vezes, bem divertido.

Quando essa combinação é de mulheres + bicicleta + arte, o arranjo fica ainda mais fascinante. Pensando nisso, selecionei artistas que fazem um trabalho muito lindo em torno da cultura da bike – e que merecem todo o nosso apoio.

  1. Sobre Margarida – Priscila Sbampato

Conheci a Priscila no Musas da Urbanidade e já de cara a adorei. Além de ser designer, a Priscila é ilustradora e é nessa área que ela se dedica a retratar mulheres e suas magrelas. Para minha surpresa, ela me mandou colagens sensacionais sobre fotos minhas. Obviamente, morri de amores.

Colagem sobre fotos Sobre Margaridas
Belezuras que a Priscila posta no seu Instagram
O universo bicicletístico e fantástico da Priscila.

Confira o trabalho da Priscila no Instagram Sobre Margarida (vale a pena seguir, hein!).

2. Bikeyface – Bekka Wright

A americana Bekka vive em Boston e cria quadrinhos extramente realistas sobre estar em um veículo ágil porém frágil num dos países mais carrocratas do mundo. Suas tiradas sobre o universo feminino num cenário tão cheio de machismos são incríveis e dão vontade de abraçar a artista, por compreender tão bem a nossa rotina.

Bekka retratando a larica sem maconha causada pelo uso da bicicleta. Fome eterna duma mente sem lembranças.

Bekka, além de artista, também é escritora, film maker, padeira de cookies de chocolate (haha), cicloativista e muito engraçada. Alguém bem que poderia se dedicar a traduzir todos os quadrinhos dela, né non?

O loop da felicidade ao usar a bicicleta como transporte.

 

3. KPPdraws – Kitty Pemberton-Platt

A inglesa Kitty tem duas paixões na vida: pedalar e desenhar. Ela retrata de maneira bem humorada a rotina de quem usa speed para treinar, mas mesmo quem não vive isso consegue se divertir com as suas ilustrações. Seu trabalho é uma declaração de amor ao esporte (e, ao que tudo indica, a alguém que pedala também).

As regras da estrada: viva e aprenda em cima do selim.

Ainda que o seu site oficial funcione, a loja e o Instagram dela não estão mais no ar, mas por sorte ainda temos as ilustrações antigas para contemplar. Ah, num stalk básico, descobri que além de ilustrar bem, ela pedala como uma monstra. Pura inspiração (mais) essa moça.

 

4. Sarita Mann – Sarita Mann Design Studio

A Sarita é designer e busca materiais e práticas sustentáveis para os seus projetos. De maneira não muito surpreendente, ela também é ciclista. A descobri em uma reportagem da Momentum Mag sobre como prender a sua bicicleta – que, aliás, também é um excelente ebook (ambas em inglês).

Amor pelas bikes por Sarita Mann para a Momentum Mag.

No site dela, você pode conferir os outros trabalhos que ela desenvolve.

5. Laurie King

O sofá de ciclista hahahah

As ilustrações da Laurie estão longe de ficarem só no papel. Expert em serigrafia, ela é capaz de passar suas ideais para um mundo de materiais. Amante das estradas, ela junta essas duas paixões de um modo poético e muito agradável aos olhos. De acordo com seu site, o processo é parte fundamental da sua criação, bem como…. ora, sair para pedalar.

Você pode descobrir mais trabalhos no site dela ou ainda comprar algum mimo super lindão na loja virtual.

6. Danielle Baskin – Inkwell Helmets 

Falando em produtos com arte, chegamos na incrível Danielle, que em 2009 fundou a Inkwell Helmets. Sabendo que os capacetes são bem limitados (e sem graça), ela começou a pintá-los a mão, fazendo-os ficarem mais personalizados e estilosos, e assim incentivando o uso do artefato.

Seu trabalho reflete bem os seus interesses: ilusões de óptica, bicicletas, bicicletas como meio de transporte, ciência, educação e por aí vai. Não faltam paixões para essa menina.

Para você ser uma obra de arte móvel, os capacetes são vendidos online e custam entre 85 e 245 dólares cada.

7. Britt Appletton

A cômica Britt gosta de ilustrar pessoas – e quase não entrou nessa lista muito seleta (risos). Porém, sua capacidade de ser sagaz e feminista, vivaz e crítica, tornou impossível não colocá-la. Ela não tem a bike como principal tema, mas quando a encontrei nessa reportagem da Total Womens Cycling, não tive mais como tirá-la deste post.

Confira o site da artista ou ainda essa série maravilhosa sobre mulheres e menstruação na Toast.

Bom, essas foram as artistas que achei por aí retratando o mundo em duas rodas. Vocês conhecem outras? Compartilhem com o mundo, bora enaltecer mulheres artistas!

Meu super agradecimento para a Priscila, que me usou como inspiração (sério, gente, como pode!?) no seu trabalho lindo e ainda me explicou melhor sobre o que é bike arte – que, aliás, ficou faltando colocar mais informações, mas perdi tudo no meu celular com a tela quebrada :p

 

Parece que estes homens possuem uma opinião urgente sobre ciclismo feminino

O Global Cycling Network é um canal britânico no youtube que produz um volume impressionante de conteúdo de qualidade sobre ciclismo de estrada. Eles contam com meia dúzia de apresentadores, sendo destes apenas uma mulher, Lucy Martin. Até aí (até que) tudo normal, exceto pelo fato que:

  • A Lucy quase não aparece em vídeos e, quando aparece, normalmente trata sobre assuntos femininos;
  • Nos vídeos em que aparece, ela recebe comentários sexistas, babacas e que sempre questionam as capacidades dela;

Vale lembrar que Lucy Martin, além de apresentadora do GCN, também é:

  • Ciclista profissional aposentada com grandes feitos, competindo inclusive nas Olimpíadas de Londres 2012.;
  • Ela também é coordenadora de comunicação & mídia digital da Orica Scott.
Lisa Brennauer conversa com Lucy Martin sobre as novas bicicletas da Canyon focadas no público feminino.

Entretanto, nenhuma das suas expertises a poupam de comentários como estes:

1. Coisas de homens são…. coisas de homens:

“Eu não me importo que elas possam fazer qualquer coisa igualmente [aos homens]. Não estrague um programa de homens colocando uma mulher nele. Você colocaria uma mulher no Top Gear? HAHAHAHA não”
2. Muito bacana, mas dá para melhorar, né, queridinha?

“Legal, é bom ter uma visão feminina em todas as coisas de ciclismo. E tenho certeza que a Lucy pode crescer como apresentadora convidada / apresentadora”

3. Tem algo mais importante do que tudo que você disse ali, Senhora Profissional: 

“Mais importante é aprender a trocar marchas! Veja no minuto 2:19, mas que porra!?”

Hoje a GCN publicou um vídeo com a Lucy sobre os novos lançamentos femininos* da alemã Canyon e, de novo, os comentários questionando as capacidades dela rapidamente surgiram. Desde uma suposta falta de desenvoltura para apresentar o canal, até o incrível fato da sua camiseta da GCN (de novo, supostamente) não ser feminina e, por isso, estar com mangas dobradas.

4. Aquela sutileza da mulher sendo lembrada que é (somente) objeto de desejo por um cretino:

“Como homem eu gostei desse vídeo. Por favor, deem a ela mais tempo de aparição”

5. Opa, parece que este homem é legalzão, mas ele tem um conselho fashion para produção:

“Agora se vocês tivessem uma camiseta GCN especificamente para mulheres, as mangas não precisariam ser dobradas. Ou seriam isso o estilo pessoal da Lucy?”

6. O Tom é tão massa como apresentador. A Lucy, bom…

“O jeito nervoso da Lucy me lembra o Tom. Mas sua desculpa é que ela é novata e nervosa. Tom é apenas desajeitado a maior parte do tempo.”

Tomar como referência os comentários nos vídeos pode não ser uma estatística muito apurada, mas certamente expõe e exemplifica o como é difícil ter mulheres como protagonistas no ciclismo, ainda que estas apresentem todas as credenciais para um trabalho competente.

Seria muito reconfortante se fosse um caso isolado de pequenos boçais que ainda habitam neste século, mas infelizmente essa é uma prática rotineira na vida das mulheres em todos os campos, seja no trabalho, no lazer ou no esporte.


* Fato que por si só já é louvável, considerando que não muito tempo atrás as marcas insistiam em dizer que não haviam diferenças consideráveis nas dimensões femininas e masculinas que justificassem uma geometria diferenciada – dentre outras asneiras.

// Para mais informações sobre os lançamentos da Canyon, vale dar um confere na reportagem do Total Women’s Cycling também.

// Prints na página do youtube do GCN no dia 04/05/2018

// Vale dizer que também tiveram comentários positivos sobre a Lucy, mas enquanto houverem comentários cretinos, teremos um problema.

Bicicleta como esporte para quem tem o mínimo de senso estético. Sim, é possível.

“You could be a rolling billboard Ornot” (Você pode ser um outdoor ambulante ou não). Essa é a tagline da americana Ornot, que se dedica a fazer roupas de ciclismo minimalistas. Para mim, essa frase é a síntese do que vive o ciclismo enquanto esporte, esteticamente: uniformes abarrotados de marcas, patrocínios e beijos para a família.

A gloriosa Rapha, incansável combatente do péssimo gosto no ciclismo. Via.

Eu sei, provavelmente estarei mexendo num vespeiro aqui e já aviso que se você acha maravilhosa a maneira como o ciclismo se mostra ao mundo hoje, pode fechar essa aba e continuar a vida normalmente. Agora se você tem o mínimo de senso estético, eu diria que é quase impossível passar incólume pelo show do horrores que são os uniformes. Faço aqui uma exceção para a galera das fixas e do enduro, que possuem uma estética tão bem resolvida quanto própria.

Tour de France

UCI divulgou no dia 15 as camisas do World Tour em 2017. Via.

Como todos os esportes, o ciclismo tem os seus trendsetters, as suas referências. Os caras picas das galáxias que escalam montanhas em velocidades que você mal consegue manter no plano, sprintam a 70km/h e possuem resultados sobre-humanos (as minas também possuem essas habilidades, mas infelizmente não são reconhecidas como). Essa bela junção de potência & técnica do ciclismo é celebrada nas voltas que acontecem todos os anos, em especial, no grandioso Tour de France.

Tour Down Under rolando agora em 2017, mas pelas roupas a gente chutaria pelo menos uma década atrás, né non? Via.

O Tour, por sua vez, tem as melhores equipes do mundo participando com seus uniformes. Além disso, a prova em si possui toda uma dinâmica para celebrar o melhor de cada categoria com suas camisas exclusivas, como a de escalador, velocista e líder geral. Daí a gente imagina que toda essa visibilidade e grana injetada por patrocinadores resulta em uniformes lindos, objetos de desejo, obras sofisticadas do vestuário? Na-na-ni-na-não. Com raríssimas exceções, os uniformes são pavorosos, parecem presos eternamente no começo dos anos 90 e possuem mais marcas estampadas do que camiseta de gincana do ensino médio.

E, veja bem, colega, são justamente esses caras que dão a letra do que é massa no esporte. Então, como você pode imaginar, o troço já desanda lá de cima.

Diante da falta de opções ou pela grande vontade de se sentir o Froome, a galera compra a torto e a direito os uniformes que foram usados no Tour. Vale ressaltar que no Brasil, boa parte deles é inspired, um nome fashionista para ‘falsificado’ mesmo. O que, acredito eu, é um grande desserviço para a imagem do ciclismo como esporte no mundo: um monte de roupas feias pedalando por aí (e fakes ainda por cima). Ok se você gosta de usar esses uniformes, mas sendo assim, recomendo que você compre os jerseys originais e então apoie a equipe (e não os seus falsificadores).

Para não mentir sozinha: confira aqui os uniformes de 2017 divulgados pela UCI.

Por que isso é importante?

Não é à toa que os demais esportes passaram a investir massivamente em como eles se apresentam. Um uniforme bonito ajuda a representar toda a nobreza envolvida nas conquistas e treinos de ser um(a) atleta. Você precisa se identificar com algo para admirá-lo. Uniformes podem ser muito úteis nisso. Além de identificações, eles são ferramentas para formar unidades, grupos e conceitos.

Pode parecer balela (e, pra muita gente talvez seja mesmo), mas um esporte com uma identidade visual pobre deixa de atrair pessoas para se envolverem com ele. Provavelmente o número de pessoas usando um uniforme de algum(a) grande ciclista fosse muito maior se, para começo de conversa, elas achassem o uniforme bonito.

Quando entramos no cenário ‘mulheres no ciclismo’, a coisa fica ainda pior. As mulheres aprendem desde pequenas que o como elas aparentam vale muito (às vezes até mais do que como elas realmente são) e sair vestindo algo que a desagrada pode ser bem difícil. Além do quê, quem vai comprar uma roupa que não se sente bem com ela? Você pode até achar que isso não importa, mas eu já deixei de comprar inúmeras vezes alguma roupa de ciclismo porque achei medonha e conheço inúmeras histórias iguais a minha.

Além do quê, convenhamos, uma indústria que só fabrica roupas feias beneficia a quem? Então mesmo que você ache que está tudo bem, imagina que massa seria ter mais opções bonitas para quem não acha? E vale ressaltar que, majoritariamente, os uniformes são fabricados com lycras (e polímeros variados) que ficarão para sempre no planeta sem se decompor, então esperamos que a manufatura disso seja – no mínimo – melhor empregada.

Brasil, o país do MTB

Corre a lenda que o Brasil é o país do MTB. E a galera do MTB curte muito um uniforme de equipe, seja uma equipe profissional ou uma própria. Eles também curtem muito as já citadas camisas do Tour de France, que é uma prova de estrada, o que me dá uma pequena sensação de que faltam sim referências no próprio MTB (tão vendo como a estética é mal resolvida?).

Diante do meu grande estudo empírico de análise de camisas de ciclismo, as do MTB são as que me dão mais medo. Grafismos excêntricos, chamas, vetores de morros, montagens primitivas, frases em caixa alta, cores com um contraste injustificável são elementos frequentes dos amantes da terra e da lama. Pior do que as camisas de equipe, só as camisas fabricadas exclusivamente para algum evento, quando o clã vai subir alguma temerosa montanha, fazer uma pequena viagem ou participar de alguma prova. Essas sim são de sangrar os olhos.

Digamos que os speedêros não sejam muito diferentes, mas pelo menos eles usam camisas de equipes da mesma modalidade que estão praticando, o que faz meu raciocínio lógico muito feliz.

Roupas de Ciclismo “Femininas”

Se o ciclismo em geral já tem uns uniformes medonhos, imagina você, o que são os uniformes desenhados (por homens em sua maioria) para as mulheres. Eu já respondo: flores de hibisco rosas, arabescos deformados rosas (claro, né) ou ainda flores & arabescos deformados rosas com algum fundo esquisito. Você também pode incluir batons, beijos, lacinhos, joias e tudo mais que for ‘feminino’. De preferência, tudo rosa.

Quanto a modelagem, eles até podem dizer que existe diferença entre a masculina e a feminina, mas olha, tá convencendo não. Dificilmente uma mulher veste aquilo e não parece um grande saco de batatas – o que, convenhamos – já nos deixa insegura só de pensar, imagina então pedalar com isso.

E não tem solução?

Machines for Freedom, orgulhosamente feita por e para mulheres. Via.

Por um tempo, eu achei que não, mas cada dia vejo novas marcas dispostas a quebrar com a tradição de uniformes tétricos. A inglesa Rapha, por exemplo, revolucionou o que é um jersey e trouxe com ela toda uma nova maneira de se vestir para pedalar. Uma pena que cada peça dela custe o PIB de um país pequeno. Vale ressaltar que a Rapha é tão concisa e lançadora de tendências, que os eventos que ela cria são verdadeiros sucessos para quem pedala (como o Womens100 e o Festive500).

Maap. Via.

 Na gringa é mais fácil achar roupas bonitas, gosto muito da supracitada Ornot, da Maap, Machines For Freedom, Cycle Like a GirlVegan Athletic Apparel, Mescal, Black Sheep Cycling, Ten Speed Hero, ChapeauWe Are Omnium. Só para citar algumas, porque como você pode ver, gasto bastante tempo pesquisando sobre isso. O problema é trazer pra cá sem ser taxado, além do câmbio e da incerteza de quando e se irá chegar.

A catarinense Kirschner. Via.

No Brasil, algumas marcas já começam a despontar e vão muito bem, obrigada, desenhando uniformes que dão vontade de usar sempre. Eu adoro a Lacarrera Brasil (no meu instagram, isso fica bem claro), a Kirschner Brasil, a Veloma e a curitibana Mynd (por causa modelagem bem feita). Não deixo de reconhecer os esforços da Free Force, da Curtlo e da Woom em sair um pouco do óbvio, mas ainda com muito chão pela frente.

Lacarrera Cycling Wear. Via.

Veloma. Via.

Final Stage

A bela Chapeau! Via.

De maneira geral, o ciclismo possui um cuidado com a estética (e também um marketing) bem meia boca. Porém, nada que seja irreversível. O bom disso é que se pode renovar a aparência sem deixar de respeitar a estética tradicional do esporte, afinal sabemos claramente o que é um uniforme de futebol, basquete ou de vôlei. Com o ciclismo dá para fazer o mesmo.

Vale lembrar também que muita gente acaba comprando em gigantes multinacionais de esporte, com seus preços atraentes, porém com peças de qualidade questionável. Lá, ao menos, eles acertam em evitar estampas e utilizam paletas de cores atraentes.

O cenário tem melhorado, em geral graças a pequenos empreendedores que cansaram de ver coisas feias em cima de bicicletas. Ainda entram em questão as bicicletas, capacetes, sapatilhas, luvas e demais acessórios, que são mais difíceis de produzir do que camisetas e bermudas e serão temas de um outro post.

E vocês? O que acham da estética do ciclismo atual? Conhecem alguma marca lindona que merece destaque? Conta aí! O melhor sempre rola depois que o post vai pro ar.

Saiba mais (em inglês)

 

 

Moça, você está perfeita para começar (ou voltar) a pedalar.

Um completo desastre: era a imagem que eu via no espelho. Não precisava me pesar para saber que tinha ganhado quilos e minhas roupas não entravam. Como se o auto ódio não fosse suficiente, comentei com uma amiga como estava me sentindo. Às vezes fico na dúvida se isso nos alivia ou se só fazemos isso para espalharmos o vírus da insegurança mesmo. Se eu tô na bad, outra também pode estar.

Ela, por sua vez, me deu uma resposta surpreendente. Disse que era para eu me olhar no espelho e falar em voz alta que estava linda. Relutei muito, mas tentei. Dei aquela conferida esperta de quem tá fazendo algo errado, para ter certeza que nenhum outro ser humano iria saber da existência daquela cena patética: eu, supostamente horrenda, dizendo para mim mesma que estava linda. Fiz, morri de vergonha e comecei a rir de mim mesma. Ora, já é melhor do que se odiar, pensei (e continuei praticando).

Desde muito novas e, de maneira muito cruel, somos ensinadas que o nosso valor está em quanto pesamos na balança. No quão poderosa é a nossa capacidade de domar os nossos cabelos. Do quão ninjas somos em depilar a virilha e não deixar as inflamações que vão se formando ao longo dos anos escondidas. O peso do como nós ‘devemos parecer’ é devastador e ele ainda tem mais dois efeitos colaterais que me fazem questionar a humanidade todos os dias.

O primeiro deles é que tornamos praticamente todas as outras mulheres nossas rivais (e, por muitas vezes, inimigas). Por serem mais magras, mais bonitas, mais adequadas, mais contidas. Por qualquer ‘motivo’ que nos deixe para trás no quesito: ser linda e, então, vencer na vida.

O segundo é que essa overdose de exigências sobre como devemos parecer e nos comportar, nos afasta da nossa deliciosa faceta de viver o mundo do lado de fora. Suando, praticando esportes, descendo ladeiras ou fazendo qualquer outro caralho de coisa que a gente queira (mas, em geral, nem sabemos que podemos querer).

via Empodere Duas Mulheres

O número de mulheres em cima de uma bicicleta é pífio, não importa se como transporte, esporte ou lazer. As poucas que dão a cara a tapa e vão, são vítimas de comentários completamente imbecis de homens (tanto no pedal, quanto na rua). Se sentem inseguras, inaptas, estranhas. Com uma frequência absurda, são as ‘louquinhas’ do grupo do amigos. Ou as revoltadas. Afinal, sempre dá para enfiar uma mulher em um rótulo que a lembre do quão inadequada ela está sendo.

Sair de bicicleta é se olhar no espelho e dizer, mesmo sem acreditar muito, que você é linda. Você tem o mundo inteiro te dizendo que o mais oportuno seria se odiar. Dizendo que melhor mesmo é tomar a sua dose diária de veneno. Que ficando em casa você está mais segura. Não é fácil mesmo: você irá questionar o seu físico trezentas vezes. Irá questionar os perigos da rua dez vezes mais. E não, nem estou falando tanto do medo de ser atropelada. É medo de estar com a cara na rua no meio de vários homens que podem te fazer mal. Muito mal.

Se você for mulher e quiser pedalar, provavelmente, terá que negociar quem irá ficar com seu filho. Ou terá que pedir para alguém (normalmente um homem) te acompanhar em um caminho menos movimentado. Terá que dormir mais tarde para cozinhar no dia anterior e deixar a refeição da família pronta para quando você não estiver em casa. Enfim, você terá que fazer das tripas, coração. Nada novo.

Apesar de tudo, se você gosta (ou acha que gosta) de pedalar, eu ainda a encorajo a ir. Vá mesmo se achando ‘gorda’*, errada, despreparada, subversiva. Vá. Se tiver amigas para ir contigo, melhor ainda. Monte um grupo. Se não tiver, vá sozinha. Vá como der para ir**. Se encontrar outra mulher no caminho, sorria para ela. Vocês podem ainda não saber, mas são todas partes de uma grande luta.

Sempre que quiser, pedale. Pedale como uma guria: enfrente todos os empecilhos e ainda se mantenha de pé. Somos todas irmãs. E ah, como nunca é demais repetir, contem comigo.

Pequeno aviso:

*Ser gorda não é ruim. Além disso, reproduzir esse discurso é opressivo para quem é gordo.

**Dicas de segurança e mecânica estão por toda a internet. Você consegue sair (apesar do medo) sem ser irresponsável (caso você tenha pensado nisso).

Faça um favor a si mesma, tome esses remédios (no lugar do veneno):

Esse post é dedicado a (não necessariamente nessa ordem): Laila, Carla, Deia, Nani, Cris, Mariele, Deisy, Aline, Marcella, Rafi e a todas as incríveis mulheres que me tiram do sofá e me fazem crer que pedalar é sim um ato de amor próprio. E, é claro, uma revolução.

Foto Vinícius Leyser da Rosa

 

8 maneiras de parar de enrolar e cumprir com a meta de ser mais ativo nesse ano novo

(Aviso rápido: Se a sua pira não é bicicleta e você prefere patinente, wingsuit, dança africana ou qualquer outra coisa, as dicas também servem, pode seguir lendo sem se tornar alguém que usa lycra colorida. Eu garanto).

Imagem via Bustle

45% dos americanos disseram fazer listas de ano novo. Destes, 37% colocaram nas metas ‘ficar em forma’ e ‘ser saudável’.

Se você fez uma listinha de metas a alcançar no ano novo (ou gosta de se enganar), é quase certo que uma delas é ‘ser mais saudável’ ou ‘ser mais ativo’ ou ainda o ingênuo e quase obrigatório ‘perder peso’¹. São inegáveis as vantagens de um estilo de vida mais saudável, entretanto quanto mais réveillons celebramos, mais difícil – parece ficar – a empreitada de cumprir com a famigerada lista.

Existem três trilhões de opções no universo para ser saudável (algumas bem questionáveis, mas deixa pra lá). Pra mim, o que funcionou foi adotar a bicicleta e me convencer, de uma vez por todas, que eu não odeio me movimentar.

A bicicleta, essa adorável máquina, possui diversos usos, dentre eles o transporte, o esporte e o lazer. Há diversos clubinhos disputando quem é mais ciclista que o outro, mas isso pouco importa. A verdade incontestável é qualquer uma das modalidades pode te tornar mais saudável – e, ousaria professar, mais feliz. Como eu não sou dada a clubinhos, fico puteando entre uma modalidade e outra e separei umas dicas chupando técnicas de cada uma delas.

1. Comece a se mexer se mexendo. Desenvolva o hábito da vida ativa.

Imagem via Banca do Bem

Nada poderia ser mais óbvio. Nem mais eficiente. Ainda que nosso corpo tenha sido projetado para se manter ativo, a prática de exercícios físicos vai contra a natureza humana². Somos geneticamente programados para estocar energia. A parte boa dessa história, é que também somos seres de hábitos. Então uma excelente maneira de inserir a atividade física na nossa vida é criando um novo hábito.

O tempo que se leva para criar um hábito diverge e depende muito do quanto isso altera a nossa rotina. Eu gosto muito da vertente que diz que 21 dias fazendo uma mesma coisa já dá para promover mudanças na vida. Sendo assim, adoro a ideia de me propor um auto desafio, imprimir um calendário e seguir com ele.

Pedale por x dias consecutivos, mesmo que você tenha ido numa balada nervosa no dia anterior ou só pensa em matar uma série nova na Netflix. Vá. Vá só até a padaria na quadra ao lado, mas vá. É incrível o poder que essa pequena ação tem em nossas vidas.  E depois, é claro, se recompense. Você merece.

Já escrevi sobre isso no blog Bike Floripa, vai lá e dá um confere. E faz, né, não adianta ficar só lendo. Reclamar não queima calorias 🙂

Pequenas vitórias alimentam mudanças transformadoras, elevando vantagens minúsculas a padrões que convencem as pessoas de que conquistas maiores estão dentro de seu alcance. (Charles Duhigg no livro O Poder do Hábito)

+ veja como desenvolver um novo hábito aqui +

2. Escolha metas divertidas. Persiga progresso e não perfeição.

Divertidas, ok? Não estou falando para escolher uma calça jeans minúscula e jurar que vai entrar nela até Julho. Escolha uma prova, uma distância x, uma viagem para fazer (e se di-ver-tir, pelamor). Se tiver unzamigos para chamar, melhor ainda (mas não confia só nisso, eles sempre desistem). Aproveite que o ano está começando e planeje participar de algo lá na frente, com algum tempo para melhorar e sentir a glória de cumprir com algo delícia. E lembre-se de sempre perseguir progresso e não perfeição. Perfeccionismo nessas horas só serve pra gente desistir.

E para a meta não se perder do limbo das promessas não cumpridas, use aquele conceito manjado da administração, o SMART: específica, mensurável, alcançável, relevante e temporal.

A minha é participar de uma prova hard core de MTB (terra, lama, subidas e ciladas) com uma amiga. Será dia 12 de março em Pomerode (SC). Estou levemente desesperada com a audácia da meta, mas já comecei a me preparar e meu único objetivo é terminar a prova (de preferência, inteira).

+ veja como desenvolver uma meta SMART aqui +

3. Siga pessoas que te inspiram (a ser melhor, não a comprar). 

Michaela do Team Laser Cats em post do Pretty Damned Fast

Nessa dica, colega, não dá pra ser incauto. Não me venham com aquelas blogueiras fitness pro anorexia, porque isso só nos faz andar em círculos (porém, sem perder calorias, tun-dun-tuntz) e dá uma puta frustração. Tem que escolher gente massa de verdade, que inspira, que se supera e que você gostaria de ser um pouquinho parecido com ela.

Eu tinha um puta preconceito com bicicleta road (speed) e sair para andar só para treinar. Achava a coisa mais hamster tola do universo, nimquê comecei a ver umas minas muito fodas fazendo isso, sendo lindas e incríveis e passei a valorizar muito mais isso. Inspiração boa é tudo.

A quem interessar possa, eu adoro ler/ ver:

+ Confira também o post 5 brazucas que vão te inspirar a pedalar +

4. Faça um Strava.

Mapa do Strava via Bored Panda

Para quem não sabe, Strava é um app/rede social para ciclistas e corredores, que registra o seu desempenho em cada pedalada. Eu tinha uma birra especial com o Strava porque achava que ele promovia demais a competitividade, mas devo assumir que ele tem um baita potencial: o de lançar desafios. Lá eles propõem que você suba x metros de altimetria (vulgo morros) em um mês ou que você faça sei lá quantos quilômetros. Daí cada vez que você sai para pedalar e registra no app, ele vai mostrando a quantas anda o seu desempenho e etc.

Pode parecer técnico demais se você só pedala para a padaria, mas aos poucos o bichinho vai te enredando e você fica doidinha para ser a rainha da montanha de um segmento. Toda vez que me empolgo em registrar minhas pedaladas no Strava, acabo tendo mais controle do como estou pedalando e, por consequência, me empolgo em melhorar e me superar.

Se você é enviado do capiroto e não sabe lidar com a competitividade (eu, quase sempre), dá para usar o Endomondo, que não compara o seu tempo com os coleguinhas e ainda diz quantas voltas ao mundo você poderia dar com a distância que você já pedalou (ou correu).

Atualização: O brasileiro Mova Mais, que agora se chama Heartbit, também é uma ótima pedida para animar a vida e criar um hábito. Lá, suas pedaladas registradas no Strava, rendem pontos.

5. Faça um diário.

Imagem via Canela.cc

A gente esquece fácil de como a gente se sentiu bem indo ao supermercado ou ao cinema pedalando, ou como começamos a rir sozinha depois que as endorfinas nos deixam num estado muy especial. Para isso é legal anotar como estávamos nos sentido antes de sair de casa e como ficamos depois. A Adriana, do Canela.CC ensina aqui como fazer um diário de treinos, mas se você quiser algo bem simples, basta anotar na agenda ou mesmo num bloco de notas. Toda vez que a preguiça bater, vá lá e se descubra como alguém que ama se movimentar.

6. Pedale para o trabalho.

Imagem via Levis Commuter

Se tem uma coisa que funciona, mas funciona mesmo, é o troço de pedalar como meio de transporte. Mesmo que a sua pira seja esportiva, usar a bicicleta como veículo faz com quem você se movimente sem nem notar. O melhor é que é diluído na sua rotina e, na maioria dos casos nas cidades, faz com que você economize tempo e dinheiro. Você não precisa vender o carro e virar um cicloativista. Pode começar com poucos dias na semana ou só para algumas tarefas específicas, mas cada vez que você escolher ir de bicicleta, estará cumprindo com a listinha do ano novo. Incrível, não?

+ Quer se inspirar? Escrevi sobre isso num post sobre isso, o 10 vantagens marotas de se pedalar para o trabalho  +

7. Seja realista e generoso consigo mesmo.

Imagem via Bustle.

Resoluções como ‘comer melhor’ e ‘ficar mais em forma’ na verdade perpetuam o sentimento de não se sentir boa o suficiente, magra o suficiente, bonita o suficiente. (Annie Robinson em post na Bustle)

Se você está com preguiça até de pegar o telefone para pedir pizza, não vá colocar nas metas vencer o Ironman de Kona. Não irá rolar. Comece devagar, com meia hora por dia (e, com isso, a OMS já lhe abençoará com o título de ‘ativo’)³. Aos poucos, o corpo vai pedindo por mais, vai gostando dessa coisa de endorfinas e em breve, coisas que você achava uma baita trabalho, irão se tornar rotina.

Se amar, se aceitar e se respeitar é fundamental para que as promessas se tornem realidade. Do contrário, as chances de você se enfiar num bad de auto boicote é imensa. Você está como está por algum motivo. Você quer mudar, por outros tantos outros motivos. Se movimentar é um ato de amor próprio incondicional. Você merece se dar isso. De novo, busque sempre por progresso. Nunca será perfeito. Nunca ficará mais fácil, você apenas ficará mais veloz (e forte, baby).

E ah, lembre-se sempre: qualquer coisa é melhor do que nada. Qual-quer coisa.

Indo para a academia durante o ano. Gif via Bustle.

8. Sai da internet. Desliga essa TV.

Intenet Antidote. Imagem via Vinícius Leyser Fotografia.

O mundo de bobiças disponíveis para se ler e assistir são imensuráveis. Vá fazer amigos do lado de fora. É lá que o mundo é mais bonito. A rua é sua. Não perde mais tempo vendo coisas que te deixarão na maior ansiedade – e se sentindo inadequado.  Ninguém consegue grandes feitos rolando barras de redes sociais. Te garanto.


Viu? Você não precisa comprar coisas novas para ser fitness, você precisa é de disciplina. Disciplina militar.

Eu sei que não é fácil e todas as dicas acima também servem para mim, que andei bem borocoxô com a vida no ano passado, mas agora cansei e decidi lacrar por aí. Bora fazer um 2017 incrível. Bora formar uma rede de ajuda mútua e se convidar para uma vida mais ativa.

Bom, como sempre, o melhor acontece depois que o post vai pro ar e vocês contam quais são os métodos que usam.  E ah, compartilha aí: como você faz para se animar e manter o corpinho em movimento?

Referências

¹ Are New Year’s Resolutions About “Getting Fit” And “Eating Better” Just Code For Trying To Lose Weight?

² Conforto e Saúde – Drauzio Varella

³ Os Benefícios dos Exercícios – Drauzio Varella

Pedalar ajuda a curar corações partidos

Eu e a máquina de endorfinas, a Maria (a minha speed nova).
Eu e a máquina de endorfinas: a Maria (minha speed nova).

Sendo eu um ser espontâneo, que fala sem parar e com energia infinita, eu tive muita dificuldade em encarar uma suave realidade: eu tava numa bad fodida. Tão difícil quanto aceitar isso, era falar sobre isso. Acordar e viver era muito difícil. Não acordar e não viver era ainda mais duro.

Eu só me achava inútil, tola, sem conquistas na vida, uma completa idiota ou, sei lá… (insira aqui algo cruel). Não vou falar que eu tava deprimida, porque não fui diagnosticada e não acho justo com quem realmente foi. Mas tava numa bad, numa bad dantesca. As tarefas da vida iam se acumulando em cima da minha mesa e isso fazia eu me sentir ainda pior. Eu não as cumpria e, com remorso, não saía para pedalar ou desanuviar – coisas que normalmente me trariam de volta aos eixos – afinal, eu não tinha feito as malditas tarefas. Por fim, só ficava tentando fazer o que não gostava e tudo isso virou uma bola de neve.

A primeira coisa que eu abandonei foi escrever aqui – afinal, é a coisa que mais gosto de fazer. As semanas de bad foram se tornando meses, que ó, agora tavam pra completar 2 aniversários. Então eu consegui reagir. O problema é que reagir leva muito tempo: tem que voltar pra terapia, tem que sair da frente da TV, tem que rearranjar como ganhar a vida sem morrer de ódio. Foi foda e ainda tô meio cambaleando do combate, mas tô aqui. Tô escrevendo apesar das mil tarefas acumuladas.

Quando eu comecei a pedalar ‘mais a sério’, foi porque meu coração estava partido. Eu tinha tomado um fora colossal e tava disposta a zerar tudo o que eu acreditava na vida. Daí eu conheci as melhores pessoas, fui aos melhores lugares, descobri o poder das minhas pernas e me reinventei. Foi, certamente, um highlight da vida. Na minha lápide, podem lembrar desses meses.

Pedalando, me tornei outra. Me tornei quem eu sempre quis ser. Isso é magnífico, mas depois de alcançado, acaba deixando um buraco. Sempre dá pra se tornar mais. Daí o gato morreu, o cachorro também, os planos não saíram como desejado e eu fui deixando de escutar meu coraçãozinho.

Por sorte, consegui lembrar daquilo que amo, daquilo que faz eu me sentir viva. Voltei a pedalar – e bem aos pouquinhos – e nada muito além. Tô, aos trancos e barrancos, criando um capítulo novo. Seria massa se isso fosse só comigo. Se só eu parasse de enxergar coisas boas na vida e me enfiasse numa greta de bads, mas isso rola demais. Rola o tempo todo. Rola com muita gente.

Por isso estou escrevendo. Primeiro para pedir desculpas se você me enviou um inbox carinhoso, um email com proposta de trabalho ou um pombo correio com algo que eu não vi ou só não respondi. Segundo para dizer que se você também está na bad, sem fé na sua existência, procure ajuda. Faz terapia, reiki, tomas os remédios direitinho, faz um clube do livro, passa hipoglós, sei lá, faz o que você tem que fazer. Não tenha medo. Lembre-se que às vezes a gente fica tão assustado, que cria apego com a bad. Enfrenta isso. Vale a pena, por mais que doa.

E, por fim, vim aqui militar mais um pouquinho, dizer pra você tentar subir na bike e fazer um rolêzinho despretensioso, dar uma voltinha maior, ir ao cinema, ao buffet de pizza, tanto faz. Pedalar ajuda – mesmo – a curar corações partidos. Pedalar nos faz descobrir novas sensações, novos bairros, cidades, países. A gente chega a novos rumos e acaba reescrevendo a nossa história. Parece bullshitagem (e talvez seja mesmo), mas só de você sair para testar, já estará indo além.

E ah, tem uma frase atribuída ao Einstein que me irrita, mas vou ter que dizer que tem lá seu fundamento “viver é como andar de bicicleta: é preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”. Então, bora lá, bora enfrentar as bads da vida e transformá-las em quilômetros de aprendizado. Afinal, só nos resta isso.


+ Me ajudou e pode te ajudar também:


(agora eu me vou, porque tenho muito trampo atrasado pra entregar!)

Foto tirada pelo Vinícius para o meu Instagram. Segue lá 😉

Moça, você está autorizada a empurrar.

empurre-essa-bicicleta-pedal-glamourUm surto de autoimportância pode nos fazer crer que somos o centro das atenções. Normalmente não acontece quando compramos um vestido novo ou usamos aquele batom vermelho bafo, mas sim quando nos sentimos fazendo algo de errado. Comumente, ao começar a pedalar, achamos que todo o planeta terra está prestando atenção na nossa falta de coordenação motora, no medo dos nossos olhos e na nossa lentidão de iniciante.

De verdade, ninguém se importa. As pessoas estão ocupadas demais com seus próprios dramas para sair julgando você. Mesmo assim, tem hora que a gente congela. Pode ser porque um motorista passou perto demais, porque ficamos confusas em como agir num cruzamento ou simplesmente porque o nosso corpinho não sabe lidar com tudo aquilo.

Daí a gente se faz mentalmente aquela pergunta ‘mas que raios eu fui inventar isso?’ ou a famigerada ‘o quê eu tava pensando da vida, dels?!’. Afinal, sair da zona de conforto não é tarefa fácil e começar a pedalar nos lembra disso a cada segundo. Sendo assim, o que podemos fazer na hora que o desespero bate? Ora, empurrar.

Por muito tempo, eu mais carreguei a bicicleta do que pedalei. Eu só andava na ciclovia. Fim. Qualquer outro metro fora dela, eu sentia que algum imbecil iria me moer. Então eu parava e empurrava. Empurrava por quilômetros. Levava tempo. Só que a cada dia, ao empurrar, eu percebia o comportamento dos motoristas, entendia melhor o trajeto que estava fazendo e ia ganhando autoconfiança.

Foram meses me sentindo ridícula por empurrar, mas também foram momentos decisivos para que eu não desistisse. Naquela época, eu descobri que respeitar meus medos, mas também enfrentá-los, era vital para que a a bicicleta se tornasse o meu meio de transporte principal.

Então, moça, se você estiver apavorada, não se preocupe: você também está autorizada a empurrar. Está permitida a se sentir observada, julgada e, veja bem, admirada. Porque, no fim das contas, você está – ainda que devagarinho – criando uma nova rotina. E, calma, é aos poucos que as coisas vão dando certo. Na próxima vez que você pensar em desistir de ir pedalando porque está com medo, lembre-se: em caso de dificuldade, você sempre poderá empurrar.

+ Para animar a pedalar por aí:

 Imagem via Modices.