Certa vez, conheci uma família paulistana. Eles me contaram que estavam adorando Florianópolis, que aqui era um paraíso e estavam muito felizes por visitar a cidade. Eu retribuí a gentileza e disse que era apaixonada por São Paulo. Eles me olharam atônitos. Continuei. Disse que só na Paulista, eu poderia ficar um mês vendo exposições gratuitas. No fim, para resolver o impasse, a mãe da família me disse ‘Pois é, São Paulo só é boa para quem está a passeio’.

Na época, eu não era uma grande fã de Florianópolis. Queria exposições, quando na verdade, seria muito melhor desejar um bom caldo de cana no Morro das Pedras. Da mesma maneira, a família paulistana certamente não dedicava seus domingos para ver uma exposição incrível e gratuita no coração da cidade.

Bem dizer, podemos ter um olhar quase turístico para onde moramos. Quando viajamos, tentamos saber o que rola de mais legal, mais verdadeiro, mais bonito na cidade que estamos visitando, mas poucas vezes lembramos-nos de fazer isto em casa. Isto muda quando a gente escolhe usar a bicicleta como meio de transporte. Qualquer trajeto pode virar um passeio. Foi assim que entrou nos meus planos sair de casa para tomar caldo de cana. Coisa que de carro ou de ônibus, seria quase insano.

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Deia like a boss junto com o coleguinhas antes de sair.

Eu já me acostumei com esta sensação, mas a Deia, que acabou de começar a pedalar, viveu isto neste domingo. Fomos com a galera do Pedal de Quinta para a Praia da Solidão, no sul da Ilha. O objetivo era acordar cedinho e curtir o dia na areia. Saímos do Horto Florestal (Córrego Grande) e fomos para à praia.

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Finalzinho da ciclovia da Beiramar Sul.

A Deia já sabia que seriam 30km só de ida, mas não se intimidou e encarou o desafio, embora ela acreditasse que ficaria exausta até lá. Apesar de um ou outro motorista pateta no caminho, foi super divertido ir até a praia logo cedo.

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Indo ‘estacionar’ as magrelas.

Quando chegamos, a Deia era só alegria. Primeiro pela sua conquista de chegar a praia pedalando, mas também por ver que os 30km não eram nenhum bicho de sete cabeças. Nada como descobrir que você pode ir muito mais além de bicicleta do que você imaginava. Ela também descobriu que não cansa tanto quanto parece. Nas palavras dela: ‘uma aula de academia pode ser bem mais devastadora do que pedalar até aqui’.

A praia estava belíssima, a água quentinha e o céu azul. Como tinha um monte de gente interessante, ficamos falando da vida por horas e horas. Reparem também que as bikes ficaram ali no nosso ladinho, exterminando aquela preocupação recorrente de dias de sol: procurar vagas para estacionar.

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Praia da Solidão e a galera do Pedal de Quinta.

Depois fomos almoçar em outro bairro, que fica uns 10km dali. O Vini escolheu um caminho alternativo com terra e tranquilidade – daqueles que a gente até se esquece que existe por aqui.

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Costa de dentro: uma estradinha que você precisa conhecer (de bicicleta).
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O Nutri é um restaurante natureba do sul da ilha que vale a pena conhecer.

Chegamos  famintas no restaurante-delícia e comemos sem nenhum remorso. Rolou até açaí de sobremesa. Isto é que é vida.

Depois do almoço, ainda deu tempo de ir na Praia da Armação, dar uma voltinha extra e tomar um sorvete! Se estivéssemos de carro, ficaríamos horas procurando vaga na outra praia – que a esta hora já estava lotada.

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Pedalando no ladinho da praia.
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Eu e a Deia gêmeas. Roupas iguais, mas meu tênis é amarelo e o dela é branquinho propagando-da-omo. Opa, o mesmo ocorre com a blusa e o capacete :p
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Emocionada ao encontrar uma cabrinha filhote super disponível para minha histeria.

Na volta, pegamos um temporal daqueles. Como vocês já notaram, a Deia é super guerreira e nem se abalou com isto. O saldo foi super positivo, de um dia muito lindo, com direito a asfalto, terra, sorvete, praia, cabras filhotes, banho de mar e etc. Na próxima vez que eu reclamar da cidade, vou lembrar deste dia. Não há nada melhor do que viver como turista na própria cidade. Ah, tem sim: viver como turista de bicicleta <3

P.S.: Gostou da ideia de passar o dia todo passeando de bike? Então confira este evento do Pedal Nativo.

Todas as fotos são do Vinícius Leyser da Rosa.

3 Comentários

  1. Luciana Vieira

    Sempre que pedalo descubro alguma maravilha para contemplar, mesmo que esteja indo para o trabalho. E para mim, pedalar sempre vai ser um passeio, mesmo que eu vá apenas visitar uma amiga, fazer comprinhas de supermercado ou padaria, etc. Quando não uso a bike, fico um pouco triste. Hoje, por exemplo, não fui com a bike, porque depois do serviço preciso passar em alguns lugares que eu não chegaria em tempo se fosse pedalando. Mesmo que eu chegue em tempo de bicicleta, onde iria guardar a bicicleta? Não há bicicletário por perto.

    Ah, queria ir muito nesse passeio na praia da Solidão! Não deu, porque não estava boa de saúde. E parabéns para a Deia! Que venham muitas pedaladas! Texto contagiante e fotos maravilhosas!

    • pglamour

      Pois é, Lu, também tenho a mesma sensação quando não vou de bicicleta. Sempre me arrependo da decisão. Minhas amigas que não pedalam dizem que sou viciada 🙂
      O passeio foi lindo e um baita sucesso, com toda certeza terão outros! Aí você estará com a saúde tinindo e poderá aproveitar tudo.

      Obrigada pelos elogios, você é sempre um amor!

      Beijos,
      Naiara.

  2. Pingback: Pelo caminho mais longo

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