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Indo buscar a Luana na Beiramar de São José. A paleta de cores combinando foi pura coincidência. Juro. Mas ficou ótimo, né? Foto Vinícius Leyser da Rosa.

A Luana começou a pedalar tem pouco tempo, mas isto não quer dizer que ela já não tenha feito muito. Se no começo ela tinha uma bicicleta cheia de problemas e nunca tinha feito grandes distâncias, tudo isto ficou no passado.

Depois de comprar uma bicicleta nova e adequada ao seu uso, a Lu fez pela primeira vez o trajeto completo entre a sua casa e o trabalho. 

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Soul Copenhage – a nova bicicleta da Luana – agora toda equipada com alforjes, suporte para água e luzes (só faltam as de Natal). Foto Vinícius Leyser da Rosa.

E ó, tenho que dizer que não é qualquer trajeto não. São 18 km – só de ida – com uma ponte no meio, uma via expressa e um morrão daqueles de tirar o fôlego. Mas nada, nadinha disto, serviu de desculpas pra Lu. Começar a pedalar pode demandar de uma certa coragem inicial, porque te tira da zona de conforto, te tira do ‘de-sempre‘. Só que não tem outro jeito: você só começa a usar a bicicleta, quando começa a pedalar. E é assim que é, uma volta por vez, quilometro por quilometro. E ela foi lá e fez. Amou. Nunca ouvi de alguém que foi lá e pedalou e não amou. Nunca vi alguém que não desejou por mais.

No meio do trajeto da Lu, tem a mítica travessia da ponte, que já é uma lenda urbana de Florianópolis, a passarela da ponte Pedro Ivo, que liga o continente à ilha. Passou e adorou. Acho o mesmo que eu, que dali debaixo a gente vê a ilha em ‘widescreen‘ devido ao parapeito e ao teto que margeiam toda a passarela.

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Florianópolis vista pela passarela da ponte. Widescreen.

Tem muita gente que não vai de bicicleta entre a ilha e o continente porque tem medo ‘da ponte’. Tem gente que nem sabe que ali embaixo tem uma passarela. Verdade que é uma passarela com acessos inclinados e mal localizados, mas ó, tem bicho papão ali não. Tem grafites, tem pescadores e gente correndo. Tem vida debaixo da ponte. Experimenta qualquer dia. Vai por mim.

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Luana e sua Copenhage.
Foto Vinícius Leyser da Rosa.

Eu nunca vou esquecer do dia que passei por ali pela primeira vez. Acho que a Luana também não vai. Não é só por passar por um lugar que não ‘se passa a pé’ normalmente, nem por ser um lugar novo e diferente, mas é porque ali a gente descobre que muito do que se conta, do que se fala, não existe. Não faz sentido. É história de gente que nunca foi lá – ou não vai há tempos. E poucas coisas podem ser mais bonitas do que quebrar paradigmas. É como trocar correntes por asas.

Enquanto a gente passeia livremente pela passarela da ponte, bizoiando o mar, na parte de cima quase sempre está tudo parado. Congestionado. Os acessos não dão conta do fluxo – nem nunca darão com este modelo. E nós ali, rindo com as endorfinas adquiridas. Eu tentei apressar a Luana dizendo ‘vamos, menina, pedala, vamos!‘ e e ela respondeu serena ‘calma, deixa eu curtir isto daqui, isto é muito lindo‘.

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Empolgadíssimas debaixo da ponte.

Depois deste pedaço, o trajeto da Luana fica bem tranquilo. Praticamente todo feito de ciclovias. Eu disse pra Luana e ela topou ‘depois daqui, pode operar só com 10% do cérebro, agora é a parte meditativa, em que você olha o mar, cuida dos pedestres, das crianças e demais ciclistas, mas fora isto, não tem muita preocupação, é só pedalar, pedalar e logo você chega‘. Ela logo chegou. Chegou super bem.

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Vini, Luana e eu felizes da vida na entrada do Vilaj. Foto Daniela Anjos.

Estou muito orgulhosa da Luana, que está evoluindo exponencialmente. Ela já é um exemplo. Ela foi lá e fez. E continua fazendo mais. Olha, se eu fosse você, não esperava pra deixar ‘andar de bicicleta’ pra lista do réveillon. Eu, se fosse você, batia um papo com a Luana.

 “Para que preciso de pés se tenho asas para voar? ” Frida Kahlo

 

4 Comentários

  1. Amei!

  2. Luciana Vieira

    Também amei! Parabéns por auxiliarem a Luana e ela, em especial, ter a vontade de mudar de vida para melhor. Eu posso afirmar isso, porque mudou para melhor quando passei a pedalar para ir ao trabalho. Eu tenho muita disposição para trabalhar do que na época que usava o carro (era uma estressada, ui!). Uso ônibus quando está chovendo ou quando tenho vários compromissos num dia. Mas fico pensando: “Ah, como queria estar pedalando!” Boa parte da minha vida usei a bike como lazer. Hoje ela não é só isso. É muita coisa: meio de transporte, exercício físico e mental, etc.

  3. Que relato incrível! A gente vive com umas lendas na cabeça, né? Tb amei passar a ponte a primeira vez, é sensacional. Parabéns pra vocês!

  4. Pingback: Picnic Bela na Bike + Pedal Glamour

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